125/365 ANON

“Não é que eu tenha algo a esconder. Eu não tenho nada que eu quero que você veja.”

O grande problema de Anon é que o filme é bom demais para a Netflix.

O novo petardo de um dos meus diretores preferidos, Andrew Niccol, pode não ter a mesma sorte de Gattaca ou de O Show de Truman e pode passar despercebido ou relegado a um filminho qualquer.

Anon se passa em um futuro próximo e possível onde a tecnologia chegou a um nível onde o crime quase não mais existe, até que hackers, sempre eles, conseguem foder com essa tecnologia e esconder de uma forma engenhosa os crimes a partir de então cometidos.

E no mundo de Anon, a tecnologia não só acabou com os crimes mas finalmente ela domina totalmente as vidas das pessoas em um nível que ninguém precisa mais andar pelas ruas com o pescoço inclinado para baixo.

No mundo de Anon, as informações são transmitidas diretamente nas retinas de todo mundo e elas dependem do quanto você pode saber.

O que é bom.

Só que o que vemos em Anon é quase normal para nós hoje em 2018 e essa proximidade com o futuro pode ser um pouco decepcionante.

O problema de Anon é que o filme possivelmente vai ser entendido como uma ficção científica distópica quando na verdade é o típico filme noir da Hollywood dos anos 1940’s.

Clive Owen é o policial que bebe demais, não sabemos o motivo ainda, tem uma esposa que ele importuna e que ela não aguenta mais e é envolvido em uma trama que ele provavelmente não vai aguentar.

Amanda Seyfried é a mulher misteriosa, inteligente, a hacker que não pergunta, só faz o que a pagam para que seja feito. E pagam muito bem pago.

O policial consegue chegar na hacker e quando ele descobre que ela pode ser uma viúva negra, que ao invés de matar seus maridos mata seus clientes, Sal, o policial, fica com medo ao mesmo tempo que se deixa envolver.

A grande coisa de Anon são suas referências cinematográficas.

A óbvia é o quanto ele lembra Minority Report com todos os anúncios bombardeando todo mundo pelas ruas, só que neste filme, como num bom noir, mais sutis e finos que a explosão de cores daquele.

A lindeza de Anon é o quanto a direção de arte bebeu na fonte de Blade Runner com todos os seus cinzas, as linhas retas e duras e rigorosas policiais, os claros e escuros de luzes, os concretos das paredes e dos chãos, o frio e o anódino.

Mas quando tudo parece frio demais, Niccol nos ataca descaradamente com um banho de vida quando menos esperamos, parece até com um sopro de humanidade.

Anon não é a obra prima que eu vinha esperando que fosse, mas é um filme lindo demais, trazendo de volta a minha esperança para que bons thrillers de ficção científica noir venham na sequência.

NOTA 🎬🎬🎬🎬

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