Custódia é um filme claramente inspirado na obra do diretor iraniano e preferido deste que vos escreve Asghar Farhadi.
O único problema é que por mais que se esforce, o diretor francês Xavier Legrand não tem a genialidade nem a sutileza de seu companheiro do golfo pérsico, mas no fim, entrega um ótimo filme.
Custódia gira em torno de um casal se divorciando que luta pela custódia de seu filho mais novo.
Ela quer, ou melhor, exige custódia total dizendo que seu ex marido é violento.
O ex marido faz de tudo para provar que ele é um bom pai e que está sendo acusado injustamente por uma ex esposa vingativa.
A grande coisa do filme é que Legrand nos deixa absolutamente incomodados por toda a duração do filme. É difícil assistir, mesmo sabendo tudo o que vai acontecer, como vai acontecer. Ou por isso mesmo.
É daqueles filmes que causam frio na barriga, irritação e até raiva, auto raiva, por sabermos o quanto estamos sofrendo assistindo esse filme.
E Custódia entrega tudo isso. Seu diretor coloca o dedo em todas as feridas possíveis de um caso desses, de fim de casamento, de sofrimento com o ex e mesmo com o pai que nem sempre corresponde aos anseios do filho.
E como em todo bom filme relevante de hoje em dia, não existem bandidos nem mocinhos, não existe simplismo de emoção nem de personagem. Todo mundo tem seu lado bom e seu ruim, e é o que faz com que entremos tanto na história.
Se você tem problemas de ansiedade, fuja de Custódia, que é uma roda gigante de emoções. Mas se você quiser ver um showzinho de bom cinema, esse é o seu filme.
NOTA 🎬🎬🎬🎬1/2

