Site icon Já Viu?

196/365 ILHA DOS CACHORROS

Já começo este textículo dizendo que eu não sou o maior fã do Wes Anderson nem dos filmes do Wes Anderson.

Mas eu sempre os vejo e geralmente os esqueço logo.

Ontem assisti Ilha dos Cachorros e, apesar de ter gostado e achado lindo, achei um dos filmes mais noiados esteticamente que já assisti.

E isso me incomodou muito, apesar de tudo de bom e lindo que o filme tem.

Todo mundo fala de como Anderson é perfeccionista, da estrutura estética de seus filmes, da constrição estética dele como diretor e de como isso tudo é bacana. Eu acho isso tudo chato pra caralho.

Em Ilha dos Cachorros ele chegou ao topo desta suposta perfeição: tudo é centralizado, parece que todas as cenas são espelhadas, de tão perfeitinhas que são.

Tirando isso, dessa incomodação toda que senti, o filme é uma belezinha, uma fábula fantástica que transforma a realidade dos imigrantes que vivemos hoje em dia numa metáfora zoófila de primeira.

No Japão, na cidade de Megasaki, por um decreto do prefeito vilanesco, todos os cachorros são condenados ao exílio em uma ilha/lixão.

Atari, o sobrinho adotado do prefeito, do alto de seus 12 anos de idade, decide sequestrar um turbo plano e voar até a ilha atrás de seu cachorro de estimação e protetor, Spots.

Lá ele encontra uma um bando de cachorros que o ajudarão a tentar resolver o problema desse malfadado exílio e, por consequência, colocar em evidência as reais intenções do prefeito e dos seus comparsas, ops, companheiros.

Imagine isso tudo criado sob a maior influência iconográfica japonesa possível, onde absolutamente tudo o que enxergamos no filme nos remete à cultura nipônica imediatamente.

Wes Anderson continua se mostrando um roteirista de mão cheia, onde tudo o que lemos e vemos e ouvimos no filme é absolutamente pensado e repensado, com um senso de humor tão sutil e ao mesmo tempo tão incisivo que me deixou de queixo caído por diversas vezes.

Mas de novo, essa precisão toda me dá nos nervos, nada sai do lugar, nada é demais ou de menos. É tudo na medida exata, até a trilha maravilhosa de Alexandre Desplat é de uma precisão demoníaca. E a história de entendermos a língua dos cachorros e não dos humanos é genial.

O problema pra mim é que tudo parece que foi feito com o cu preso, segurando até o último segundo, até perder o fôlego mesmo, com o peido saindo pelas narinas.

Relaxa um pouco num próximo Wes, DU VI DO!

NOTA 🎬🎬🎬🎬

Exit mobile version