Charlotte Ramplig é a atriz que a Meryl Streep com certeza gostaria de ser.
Eu sempre dou risada sozinho quando leio sobre o quanto a Meryl é fodona, faz boas escolhas, arrasa nos filmes, porque imediatamente eu penso na carreira da Charlotte.
Hannah é mais um desses filmes que parecem que foram escritos para ela. E que valem muito mais, artisticamente falando, do que todos os últimos da Meryl juntos.
Hannah é um filme austero, para dizer o mínimo, onde não conseguimos tirar os olhos de Charlote o tempo inteiro e não porque não haja mais nada a ser visto.
O diretor e roteirista Andrea Pallaoro criou uma das personagens mais impressionantes do cinema dos últimos anos, uma mulher de 70 e tantos anos de idade se virando para tentar sobreviver por situações que em princípio pareçam ser a vida normal de uma mulher dessa idade, mas que na verdade são respostas a atos alheios à sua vontade.
O filme é uma aula de restrição, de minimalismo e do que hoje em dia passou a se chamar de slow cinema.
Mas não se deixe enganar por rótulos, Hannah é um show de Charlotte Rampling.
A cena em que ela chega ao aniversário do neto, depois de atravessar a cidade com um bolo nas mãos e é recebida pelo filho é de arrepiar.
Veja Hannah e tente não se emocionar ( para o bem e para o mal).
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

