Não tem jeito não, minha gente.
Por mais que vocês sejam fãs da série morninha Big Litlle Lies (que pra mim só salva a trilha, como já disse aqui), uma de suas estrelas tão incensadas, Shailene Woodley, é uma atriz de uma única personagem.
E por mais díspares que elas sejam, a atriz deveria ganhar um prêmio por conseguir nivelá-las de uma forma que eu não consigo entender.
Quer dizer, entendo sim, ela é um atriz muito da meia boca.
Vidas à Deriva é baseado na história real de um casal (Shailene e Sam Caflin) que recebe o convite de levar um catamarã, ou um barco de passeio, sei lá como se chama na verdade, da Indonésia para Los Angeles, só atravessando o Pacífico.
Em princípio uma tarefa não tão absurda para o velejador que tem um barco parecido e que passa a vida pelos oceanos.
Ele convida sua nova namorada e lá vai o casal belo e faceiro, até que, boom, o título estraga a surpresa: eles ficam à deriva.
Eu não ia ver esse filme por razões óbvias de preguiça da Shailene, mas um amigo que respeito muito disse pra eu assistir que a direção do filme é ótima e inventiva, pra um filme desses.
Baltasar Kormákur é o diretor Islandês que fez os ótimos 101 Reykjavik e Everest. E aqui ele se mostra um mágico, tirando leite de pedra.
O roteiro eu contei aí acima, porque depois da deriva é o casal se fudendo no mar torcendo para que sejam resgatados.
O que Baltasar faz é usar de uma ótima ideia na montagem para contar a história, que por vezes me lembra a montagem de Dunkirk, sem ter a genialidade temporal do filme inglês.
E outra, o cara sabe filmar. Quando eu vi que teria pelo menos 1 hora de filme no meio do mar, imaginei o quanto de cena repetida ele usaria, o quanto de cena subaquática e de barco quase virando. O cara é bom, tem umas sacadas ótimas, o que segura a onda, apesar de a história e o roteiro não cooperarem.
Na verdade, a história é besta, é isso que falei e pronto, obviamente que poupo você que está lendo do final do filme.
Sam Caflin segura a onda, é melhor até do que eu me lembrava dele e parece ser um ator que, se bem dirigido, vai se dar bem.
Mas nada que salve essa bobagem, ainda mais com uma Shailene que parece desesperada por aparecer, que força uma onda de over acting, super exagerada em uns momentos que fiquei pensando que nem a mulher de verdade, perdida no mar, gritaria tanto num momento daqueles.
NOTA: 🎬🎬1/2

