Qualquer filme que tenha a Isabelle Huppert fazendo o papel dela mesma, da atriz maravilhosa que é já sobe para o topo da lista.
Mas se o filme ainda tiver um roteiro lindo e forte e muito bem escrito como Marvin, daí é um monte de claquete com louvor.
Marvin é um moleque que nasceu e cresceu no interior francês, na família mais tosca possível, com um pai que andava pelado em casa trabalhando e peidando e cuspindo, uma mãe que não fazia questão de esconder que ele foi quase abortado, com um irmão homofóbico, com outra irmã homofóbica e para sua surpresa, ele ser gay e ainda por cima sofrer muito na escola com 2 meninos que praticamente o espancam, se não fisicamente, todos os dias.
Mas Marvin acaba sendo mais forte que todos, cria uma armadura potente e vai desviando das porradas da vida enquanto cresce e assim que consegue, vai estudar fora e morar sozinho.
Só que uma coisa é ser forte no meio do nada, outra é não ser fechado e tristonho e tímido na cidade grande.
Aos poucos ele vai tentando sair do seu casulo protetor e vai vivendo a vida que consegue, com seus poucos amigos, com seus amores fugazes, até que em uma festa conhece La Huppert que mudará sua vida um dia.
A lindeza de Marvin é ver na tela que o sofrimento de um menino gay pode levá-lo a caminhos do bem, ele pode aprender com isso e não só ter um final trágico como muitos tem desde sempre.
O filme, longe de um simplismo chato que poderia ter, conta a história desse menino com camadas e mais camadas de profundidade e o melhor, nada chato, nada moralizante ou dando lição, mas sim mostrando o quanto o crescimento, a entrada na fase adulta e os traumas de infância e adolescência moldam uma pessoa, mesmo que ela não perceba e pior, mesmo que seus pais e seus algozes não façam questão de perceber.
Marvin é um pérola que com certeza vai passar despercebida quando estrear nos cinemas daqui 2 semanas, mas aqui eu deixo um link para que esse filme seja visto por streaming.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬 1/2


Um pensamento sobre “238/365 MARVIN”