245/365 BOARDING SCHOOL

O Boaz Yakin é um dos diretores americanos mais subestimados e um dos meus preferidos, com talvez um dos melhores filmes de estreia de todos os tempos, Fresh, de 1994.

Com uma carreira tão prolífica quanto diversa e irregular, o cara já fez tudo quanto é tipo de filme, do drama infantil inicial até o filme de ação com Jason Statham, Safe.

Agora ele lança seu novo absurdo, o pequeno terror coming of age, Boarding School.

Vou resumir o filme assim: imagine uma versão bizarrinha de Harry Potter onde Harry é um cross dresser, a Hermione sente prazer em apanhar, masoquistinha mesmo e o Ron, ainda ruivinho, é todo deformado com cara de leão queimado, meio filho da Cher no Marcas do Destino.

Só que o trio não está em uma escola de bruxos, mas num pseudo internato de onde seus pais esperam que de lá não saiam tão cedo.

O filme conta uma história super exagerada dos problemas de adolescentes e de como eles tentam crescer, apesar dos pesares.

E sim, o trio citado é o trio principal do filme.

Além deles, ainda tem um moleque com síndrome de Tourete, um outro com distúrbios alimentares e dois gêmeos que se perderam no roteiro do filme.

Aliás, roteiro que poderia ser brilhante se o diretor não quisesse contar tanta história ao mesmo tempo.

Se a ideia era contar a história do menino influenciado pela avó que foi estuprada por um oficial nazista na Alemanha, tinha que mostrar mais isso, mais como ela se conectava com o neto, apesar dos pesares, porque isso daria uma importância maior ainda a seus atos.

O ponto alto do filme é a direção de ator, principalmente com o trio de adolescentes, louros para Yakin que já mostrou a que veio no filme de 1994 quando contou a história de um adolescente sobrevivendo no mundo das drogas de uma bocada em NY.

Boarding School tem um saborzinho de fantasia, um pé no terrorzinho, mas no fundo é um belo de um drama com um dos melhores personagens principais do ano, o moleque cross dresser Jacob ( o ator Luke Prael), que aos poucos vai mostrando todas as sutilezas de sua personalidade estranha e surpreendente.

Espero que Boaz filme mais e mais e que ele se anime com esse e volta sempre aos filmes de molecada, sempre seus grandes acertos e que seu fascínio, ao meu ver, por Louis Malle continue nos dando filmes como este Boarding School que tanto deve a Adeus Meninos.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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