Na Praia é um dos livros menos bons do Deus Ian McEwan.
Menos bons porque nada que ele escreva seja ruim, tudo é sempre muito acima da média.
Mas Na Praia tem um ritmo bem estranho em seus primeiros 2/3, prolongando uma narrativa quase que infinitamente, entremeada por flashbacks melhores que a própria história.
E olha que Na Praia tem um dos finais mais impactantes da obra de McEwan, o que é outra de suas marcas registradas, terminar os livros magnificamente.
Mas essa esticada inicial é o que “estraga” um pouco o livro, que, apesar de ser uma marca registrada dele, funciona menos neste do que em outros.
E funciona menos ainda na adaptação para as telas.
Na Praia conta o dia de núpcias de um casal inglês, lá nos idos de 1962, os 2 virgens, os 2 tímidos, os 2 bem diferentes um do outro, que se apaixonam de forma quase arrebatadora mas que a consumação de seu amor, como veremos, não será da forma mais fácil e tranquila, como deveria.
A história que se estende é o depois das núpcias, onde o casal vai para um hotel à beira de uma praia, para finalmente concretizar a união e eles conversam e conversam e jantam cedo, e bebem, e tentam se beijar, e conversam mais e enrolam, tudo isso entremeado pelas cenas de suas adolescências e infâncias, mas principalmente, de como se conheceram e se apaixonaram.
A história deles é lindinha, fofa, mas alguma coisa ali no meio trava a consumação do amor.
Apesar de Dominick Cooper, um bom diretor, de um elenco lindo encabeçado pela sempre ótima Saoirse Ronan e com um roteiro escrito pelo próprio McEwan com um belo de um final, Na Praia não decola e, com o perdão do trocadilho, morre na praia.
NOTA: 🎬🎬🎬

