Utoya é um dos filmes mais importantes do ano, recriando de forma quase realista (demais pro meu gosto até) o segundo ataque de um supremacista branco na Noruega, no dia 22 de julho de 2011, no que é conehcido como o pior dia da história recente daquele país.
O cara, depois de explodir um carro na região da sede do governo norueguês em Oslo, foi para a cidade de Utoya, onde estava ocorrendo um acampamento para 500 jovens ligados ao partido dos trabalhadores.
O cara, vestido de policial, entrou e começou a atirar para matar todo mundo.
Matou e feriu quase 200. E os outros 300 sobreviventes, sofrem até hoje com as péssimas lembranças, como recontam (não no filme).
O grande trunfo do diretor Erik Poppe, um ex fotógrafo de guerra, é também seu pior defeito: o filme é feito de planos sequências, aquelas cenas longas sem cortes.
E os 72 minutos que duraram o massacre são recriados sem nenhum corte, num brilhante (porém cansativo e aflitivo) jogo de cena. Ou de direção. Ou de ensaio.
O filme inteiro tem um pouco mais de 1h30 mas eu senti que tivesse umas 3 horas, pelo desespero da situação, que acompanhamos em tempo real.
Acho que todo mundo que passa por situações extremas se lembra delas durando mais do que realmente duraram.
Imagine uma desgraça dessas, 72 minutos sob a mira de um franco atirador, tendo que se esconder e tentar proteger seus amigos.
E o pior, ou o melhor do filme, é que Poppe escolheu a história de uma adolescente que passa o tempo todo procurando por sua irmã mais nova.
Poppe “recria” todas as histórias dos adolescentes a partir de relatos dos próprios, diz ele que com a esperança de que a história toda não seja esquecida mas que assim ele acha que feridas não serão reabertas.
Se é que algum dia elas serão fechadas.
E para terminar, todo o meu respeito ao diretor que teve a manha de realizar um filme desses e ainda por cima ter criado um dos melhores finais do ano.
Utoya deve estrear por aqui no final de novembro.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬


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