The Children Act é mais um filme inglês recente baseado em um livro do meu Deus Ian McEwan com roteiro escrito pelo próprio.
E mais uma vez o filme é bacana mas não é nenhuma obra prima.
O filme é estrelado pela cada vez melhor Emma Thompson, por quem eu tenho uma grande admiração ao mesmo tempo que eu sempre duvide que ela vai estar bem em qualquer filme que seja, porque ela tem muito cara de tia bacana estabanada. Só que mais uma vez ela arrasa.
Ela é uma juíza inglesa poderosa, fodona numa super crise em seu casamento com um americano, professor de filosofia (Stanely Tucci, o coadjuvante mais requisitado para ser marido dos últimos anos) e que acaba de avisá-la que vai ter um caso extraconjugal com uma mulher mais nova porque faz pelo menos 11 meses que o casal não faz sexo e, apesar dela não se importar, ele se importa muito e se cansou de tentar.
Enquanto isso, a juíza atende casos punks do que nós chamamos por aqui de vara da infância: gêmeos xifópagos que devem ser separados mesmo que um deles morra; pais que se divorciam e tentam esconder a fortuna para não dividirem; e o mais emblemático, um adolescente com leucemia, testemunha de jeová, que se recusa a receber transfusão de sangue para continuar seu tratamento antes que morra e é apoiado pelos pais.
Esse caso comove tanto a juíza que ela resolve visitar o adolescente no hospital e lá acaba criando um laço inesperado.
Ela resolve salvar a vida do menino, mesmo que vá contra sua religião ao mesmo tempo que não consegue salvar seu próprio casamento.
O livro, e por consequência o filme, discute essa dicotomia na vida moderna, de pessoas que são extremamente eficientes em suas profissões mas que não conseguem beijar o marido na boca.
Apesar do roteiro ser bem fiel ao livro, o filme acaba pecando por uma falta de empatia da personagem da juíza com o espectador.
A frieza da personagem, no livro acaba funcionando porque ela é mais profunda e acentuada ainda que no filme.
Só que quando vemos a Emma Fofa Thompson sendo implacável com o marido e tentando ser grossa e autoritária no “serviço”, algo não funciona, não encaixa, o que é uma pena.
Daí o que seria ideal para uma reviravolta de personalidade em algum momento da história acaba não transparecendo quanto deveria. Ou poderia.
E ficamos com mais um filme do McEwan que não atinge a maestria merecida.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

