“Não sei se existem respostas para tudo o que aconteceu”.
“Existem. Se elas se encaixam em nossa experiência é outra história”.
Este diálogo resume bem Noite De Lobos, filme que estreou semana passada no Festival de Toronto e ontem na Netflix, o novo acerto do canal (odeio falar “serviço de streaming”).
Noite de Lobos é a nova obra de Jeremy Saunier, o diretor de Sala Verde, um dos ótimos filmes de 2016.
O estranho deste novo filme é a aura, o folclore, a história de um vilarejo no meio do nada do Alasca, onde lobos matam crianças, bruxas são suas vizinhas e o frio, a neve e a tradições estão acima das leis do homem branco que chegou lá com luz e água mas pedindo muito em troca.
Riley Keough, a musa neta do Elvis, é uma dessas mães que tem seu filho levado por uma alcatéia de lobos selvagens procurando por comida em dias frios. No Alasca. Quer dizer, muito frios mesmo. E o pior, um lugar que tem luz do sol das 10 da manhã as 3 da tarde no máximo.
Ela chama um estudioso de lobos, que atravessa o continente para ajudá-la.
Só que logo que ele retorna de sua busca, depois de encontrar a alcatéia e ver que eles na verdade estavam comendo os seus filhotes para sobreviverem, ele descobre que o filho dela não foi devorado pelos lobos.
E que ela, a mulher lobo, como disse a bruxa, tinha mais a esconder do que seus vizinhos achavam.
E esses são os primeiros 10 minutos de filme, onde ainda o marido dela volta da guerra, onde o xerife se mostra um personagem chave e o vizinho indígena se mostra bem pouco tolerante ao homem branco.
Noite de Lobos, em 10 minutos, se transforma de um drama desgraçado em um suspense quase terror fiodaputa, com alguns dos personagens mais perturbados do ano.
E o mais interessante é que o filme é muito pertinente na carreira do diretor.
Depois de ter feito um filme sobre neo nazis torturadores, um filme sobre uns doidos do interior do Alasca e suas tradições bizarras não deveria ter sido tanta surpresa pra mim.
Mas foi. No bom sentido.
O filme não é genial e poderia ter sido.
Muita coisa acontece do nada, às vezes não sabemos o porquê de alguma cena mas ela está lá e tem um sentido. E outras vezes uma sequência não tem sentido final, mas deveria ter, provavelmente.
Noite de Lobos é lindamente estrelado por Jeffrey Wright que dá um showzinho de sofrimento como o conhecedor de lobos que não entende nada do que acontece ao seu redor.
E além de Riley, tem em seu marido um Alexander Skarsgard com mais sangue nos olhos que seu vampiro em True Blood.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

