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275/365 DON’T WORRY, HE WON’T GET FAR ON FOOT

Ah que delícia que é assistir um filme novo de um grande diretor.

Gus Van Sant é um desse, um puta de um diretor, pra nossa sorte ainda vivo, que sabe dirigir, sabe escolher projeto, sabe escrever roteiro e o melhor, tem tanto amigo fodão que o elenco deste seu novo filme parece ser dream team mesmo.

Joaquin Phoenix, Jonah Hill, Rooney Mara, Jack Black, Udo Kier e as cerejas do bolo, a diva do Sonic Youth, Kim Gordon e a diva das divas, Beth Dito.

Joaquin é John Callahan, um doidão, alcoólatra, quem em 1972, em uma noite de farra com seu amigo Dexter, (vivido pelo aqui ótimo Jack Black), com quem bebe todas possíveis, sofre um acidente por total imprudência em seu fusquinha azul: John, bêbado demais para guiar, deixou Dexter no voltante.

Dexter dormiu, o carro capotou, bateu, fudeu tudo, Dexter saiu ileso e John, tetraplégico.

O bom do filme é que Van Sant não usa a dor e a auto-pena de John por ter ficado paralisado. ao contrário, foca nos momentos em que ele começa a entender o que aconteceu, apesar dos pesares, e começa a receber ajuda, primeiro de um cuidador maconheiro e depois de uma enfermeira que vira aeromoça que vira sua namorada, vivida pela Rooney Mara com a pior peruca do filme).

O filme fica realmente bom ao mostrar John em seu grupo de ajuda, comandado por um irreconhecível (e lindo) Jonah Hill, uma bicha rica que faz essas reuniões em sua casa, junto com as personagens de Beth, Kim e Udo.

John para de beber, sofre com isso ao mesmo tempo descobre (ou como veremos depois, redescobre) que sabe desenhar e com seu humor ácido, começa a criar cartoons infames e geniais.

Seus cartoons começam a ser publicados em um jornal local que começa a receber cartas e mais cartas de gente criticando a aspereza de John, mesmo sabendo que ele é um tetraplégico, ou talvez por isso mesmo.

Mas essas cartas acabam fazendo com que os editores do jornal se animem mais ainda com John e lhes dão cada vez mais espaço, o suficiente para que ele comece a ser reconhecido nacionalmente, e seu humor ácido, numa época onde o politicamente correto não existia, o colocou ao lado de outros caricaturistas e artistas que também faziam críticas ferozes com seus desenhos.

O projeto desse filme, como li, existe há anos nas mãos de Van Sant, desde que ele filmou Gênio Indomável com Robin Williams que o apresentou ao cartunista e tinha pretensão de vivê-lo no filme.

O acaso mudou a história, sai Robin, entra Joaquin, meu ator preferido americano vivo, com uma fisicalidade perfeita, como sempre, mas neste filme, para este papel, ele se supera. Mais uma vez.

O que me deixou feliz de verdade é ver um Gus Van Sant no seu pico de maestria, um diretor como poucos, que sabe conduzir um filme e sabe conduzir seu elenco, criando situações maravilhosas para que cada ator brilhe o máximo.

O filme tem um probleminha, suficiente pra eu tirar meia claquete da nota, que é um problema recorrente de Van Sant: sua duração.

Uns 10 ou 15 minutos a menos fariam muito bem para o filme, com um pouco menos de choradeira, já que vemos que o que interessa nesta história é a superação, das formas mais estranhas possíveis.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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