Um Pequeno Favor é um filme que, feito pelo diretor certo, seria um absurdo de bom.
O problema é que foi dirigido por Paul Feig, um diretor que mais erra que acerta, que acertou com Missão Madrinha de Casamento e errou lindamente com Os Caça Fantasmas do ano passado, o remake com as atrizes nos papeis principais.
O cara tem a “fama” de dirigir bem mulher, só que neste pseudo filme francês, ele mostra mais a mão pesada do que a delicadeza que as personagens feminninas de um neo noir precisavam.
Falei que é um pseudo francês e ele deixa claro a que veio já nos créditos iniciais, que parecem ser de um filme pré nouvelle vague.
E a personagem da Anna Kendrick ainda cita descaradamente o filme Diabolique, filme que com certeza inspirou o romance de onde saiu esse Pequeno Favor.
O história do filme se passa em uma cidadezinha irrelevante qualquer que fica a quase 2h de NY, o que fica bem claro também, para justificar o quanto a vida das pessoas que lá vivem é insignificante e o quanto uma mulher maravilhosa e seu marido famoso fazem a diferença na vida das pacatas donas de casa e mães de família que nada fazem a não ser cookies para a escola dos filhos.
Blake Lively é essa mulher, que está maravilhosa como a fodona, sedutora, malucona, que bebe as 2 da tarde, que faz martinis fortes e surubas em casa.
Por um certo acaso ela fica amiga da personagem de Anna Kendrick, uma dessas mães solteiras (ou viúva, no caso) que tem um dinheirinho garantido para sobreviver e não tem o que fazer na vida então faz um vlog com dicas para outras mães como ela.
As duas tem filhos da mesma idade que estudam na mesma classe e, por esse acaso, ficam amigas, ou pelo menos se aproximam bastante.
Um dia a bonitona pede para a fofa tomar conta do filho, porque ela está com problema no trabalho e o marido está em Londres cuidando da mãe.
Só que ela não volta para buscar o filho e some de vez, fazendo inclusive com que o marido volte para casa.
E aí começa, o que eu esperava ser, a parte boa do filme, já que até então o humor quase pastelão da personagem fofa da Kendrick estava me irritando.
A bonitona some, todo mundo começa a se preocupar, polícia, investigadores, até que descobrem que o marido fez um seguro de vida milionário em seu nome dias antes dela sumir.
Esse era o momento do filme virar um noir francesão, mais dark, mais tenso, mas vemos que Kendrick não segura a onda e nem Feig pretende que ela segure, na verdade.
O filme vira uma bobagenzinha, sem graça e sem drama.
A história até que rende, o roteiro não tem muito buraco, mas também não tem nenhuma surpresa.
Feig tem que decidir o que fazer no seu próximo filme e não querer aparecer parece ser seu grande problema.
NOTA: 🎬🎬🎬

