292/365 22 DE JULHO

22 De Julho é o filme produzido pela Netflix e dirigido pelo ótimo Paul Greengrass sobre os acontecimentos de 22 de julho de 2011 quando um nacionalista de direita, neo nazista, fiodaputa, explodiu um carro na porta de um dos prédios do governo norueguies e logo depois foi para um acampamento da juventude esquerdista onde ele matou 77 jovens.

O filme é bom mas não chega aos pés da obra prima Utoya (filme da minha lista Alerta Filmão do ano), o filme norueguês que conta a história sob um ponto de vista bem particular e desesperador.

Diferente do outro filme, este 22 De Julho continua a nos contar a história depois de findo o ataque e nos mostra o quanto o assassino terrorista era um cara frio, calculista, sociopata digno de dó e ódio, tudo ao mesmo tempo.

Greengrass e sua câmera na mão de longe, sempre como se estivesse escondida, dá uma impressão boa ao filme, como se estivéssemos assistindo o que está acontecendo sem interferir na “verdade da história”, meio que filhote do cinema verité só que ao contrário.

Este é o tipo de filme que acaba servindo como um bula, um menu, para entendermos como esse tipo de gente, o terrorista no caso, funciona, pensa e age, o que pode ser bom para os dias que prometem chegar por aqui.

Nada é por acaso.

O cara que tem ódio de imigrantes, de negros, das bichas, das travestis, dos pobres, de quem não tem olhos azuis ou de quem não se encaixa em um padrão qualquer que ele tenha resolvido que seja o melhor para a vida dele, esse cara com uma arma na mão, com tempo livre e cabeça vazia pode sim se tornar a pior pessoa do mundo.

O truque (do bem) do filme é contrabalançar a desgraça de mostrar o assassino, mostrando a família de um dos adolescentes que sobrevive apesar de ter perdido um olho, de ter estilhaços de bala pelo cérebro, só pra começar.

O quanto ele sofre, o quanto sua mãe sofre e o quanto esse sofrimento vai afetar o fato de ela ter acabado de ser eleita prefeita de onde eles moram, fora o desespero do pai, do irmão, da nova amiga e dos velhos amigos, tudo isso causado pelo cara que não sente nenhum arrependimento por tudo que causou.

Greengrass não nos poupa mesmo, não tem cena bonitinha, feliz, como compensação.

As compensações são tão ou mais fortes que o lado ruim, talvez porque a gente se identifique com os que se fuderam e não com o terrorista.

O problema do filme é quase humanizar o terrorista, trazê-lo à luz, coisa que Utoya não faz e também por isso, gosto mais e me pergunto: será que esse filme precisaria ter sido feito?

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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