315/365 A BALADA DE BUSTER SCRUGGS

Se você resolveu que só vai assistir um filme nesse feriado que não termina nunca, faça um favor a você mesmo e veja o novo filme dos irmãos Coen, produzido e lançado agora pela Netflix, A Balada de Buster Scruggs.

Os caras são bons mesmo, a gente bem sabe e bem ama essa dupla de irmãos que escreve, dirige, produz filmes pelo menos muito interessantes e acima da média. Mas eles nem sempre acertam na mosca.

A Balada é o melhor filme deles desde Onde Os Fracos Não Tem Vez, que é de 2007, coincidentemente, outro quase western.

A Balada é o que a gente pensa ser um western se fecharmos os olhos e tivermos uma imaginação nem tão aguçada. Só que com o melhor senso de humor e sensação farsesca dos Coen.

Eles fizeram um filme dividido em 6 histórias que se passam, sim, no velho oeste típico, aqueles dos filmes dos anos 1950’s onde os brancos desbravadores do nada são os heróis e os índios, donos dos lugares todos, são os vilões que escalpelam os invasores.

A balada tem de tudo: O Buster do título é um cantor famoso e mais famoso ainda atirador, um ás das pistolas, vivido por um dos atores ícones dos Coen, Tim Blake Nelson, que dá um showzinho de simpatia vilanesca.

O conto ou o curta ou o filme que eu mais gostei dentro do filme, é estrelado por um Tom Waits de cabelo e barba branca como a neve procurando ouro no meio literalmente do nada, onde os animais que lá vivem se afastam quando ele chega e voltam às suas rotinas quando tudo fica silencioso de novo, numa das ótimas sacadas dos irmãos em meio a tantos detalhes cinematográficos que tanto ajudam a contar as histórias.

Quando fiquei sabendo desse filme fiquei em choque porque o bostão do James Franco está no elenco. E tive outro choque quando assisti o filme que ele está bem e é um bom ator quando tem um papel bom e é bem dirigido.

Além deles, o filme tem um elenco muito fodão com Liam Neeson fazendo teatro pelos vilarejos a noite com uma personagem saída diretamente do filme Freaks, tem Brendan Gleeson, Harry Melling e a única mulher num filme quase sexista, Zoe Kazan, com o melhor final de personagem do filme.

A grande coisa de A Balada é a falta de pudor para o politicamente correto: o filme é quase sexista, quase ofensivo aos índios e mesmo assim foi feito lindamente, o que me faz pensar o quanto o politicamente correto pode ser repensado sob diferentes circunstâncias.

Tenho 2 pedidos a fazer: Irmãos Coen, por favor, animem-se e continuem nessa vibe maravilhosa; Netflix, por favor, anime-se mais ainda e continue nessa vibe mais maravilhosa.

Ah, 3 pedidos: por favor, façam filmes com mais e mais gente morrendo que tá pouco.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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