Colette, para quem não sabe, não é a lojinha cool de Paris que vendia camisetas super faturadas e lançava bandinhas super elogiadas.
Não só.
Colette foi uma grande escritora francesa do início do século XX que, por causa do preconceito absurdo, mesmo em Paris, a cidade das cidades à época, não podia lançar seus livros sob seu nome porque, bem, porque ela era uma mulher.
Assim, Colette criou uma personagem, Claudine, e através dela contava histórias autobiográficas de seu casamento com um editor truqueiro e aproveitador que lançava os livros como se fossem seus.
Foi a partir de uma relação que Colette teve com uma aristocrata lésbica, mas que hoje poderíamos chamá-la de trans homem, que Colette teve a força e a coragem de lutar pelos seus direitos autorais.
Muito porque seu marido Willy além de aproveitador e truqueiro, era um misógino, grosso, mentiroso, o pior dos caras.
Quando a gente vê ou acha que a arte imita a vida é a mais pura verdade.
Um personagem tão absurdo quanto Willy só poderia ser real, se fosse criado o autor seria criticado por excesso de criatividade.
Keira Knightley vive Colette lindamente neste ótimo biopic, mas com um problema pra mim: tô começando a me irritar com umas caras da Keira que se repetem em todas as suas personagens. Mas ainda dá pra aguentar, só espero que ela se toque disso logo.
Colette poderia ser considerado um filme de amadurecimento, se pensarmos friamente, mas na verdade o que eu vejo é o amadurecimento de Paris, da sociedade, ou pelo menos um primeiro passo dado por causa de Colette e sua ousadia.
Colette se passa mais ou menos na mesma época que o Príncipe Feliz do Oscar Wilde, que falei aqui outro dia.
Se a gente acha que hoje em dia os gays e os doidos e os desvairados sofrem, é só vermos esses dois filmes pra termos uma noção que, mesmo sendo escritores bem famosos em seus tempos, Colette e Wilde sofreram mais do que conseguiram aguentar.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬


Um pensamento sobre “344/365 COLETTE”