Bem no finzinho do ano vai o último filme sobre o nazismo de 2018, o holandês O Banqueiro da Resistência.
Eu achei que seria mais um filme sobre alguma história super honrada sobre a resistência durante a 2a Guerra Mundial, mas a história dos banqueiros que fundaram a resistência holandesa é incrível e o filme feito sobre a história é uma aulinha de cinema.
Contar em 2 horas uma história de 4 anos em mínimos detalhes e com precisão cirúrgica é para poucos.
E o diretor Joram Lursen conseguiu esse feito.
Quando os nazistas, que ocupavam a Holanda no início dos anos 1940, resolveram tirar dinheiro de circulação para que o povo não tivesse condições de sobreviver e assim ficaram subservientes de uma forma ou de outra, um pequeno banqueiro teve a ideia de criar um Banco da Holanda “paralelo” e secreto, criando assim a resistência.
O governo holandês, que se refugiou para a Inglaterra, embarcou na ideia genial do cara e de longe deu suporte.
Aos poucos, ele e mais uma grande parte de empresários e banqueiros e altos funcionários do agora governo nazista bancaram famílias de soldados presos, famílias de judeus escondidos, famílias de desempregados e por aí vão.
As ideias foram ótimas e o sucesso deixava os nazistas de cabelo em pé porque não entendiam como aquilo funcionava.
O roteiro é ótimo, o filme é bem dirigido e o elenco é uma beleza só.
Filme tão bom que foi a escolha da Holanda para concorrer ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2019.
Depois de tudo isso, de ter ficado chocado com tudo o que vou descobrindo a cada filme sobre o nazismo que eu assisto, ao final do filme vem uma revelação bombástica.
O que a resistência holandesa, a partir das ideias do banqueiro fez, foi considerado uma vergonha nacional por muitos e muitos anos, porque ao frigir dos ovos, o que eles fizeram foi fraude financeira bancada pelo governo, o que num país cartesiano como a Holanda, é uma grande vergonha.
Tanto que um monumento ao idealista e meio que salvador da Pátria, o banqueiro Van Hall, só foi construído em 2010.
Muito absurdo. E mostra muito o quanto a história da 2a Guerra, o nazismo e o colaboracionismo e a resistência ainda são assuntos quase tabus e que com certeza muita história ainda está por ser contada.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

