1/2019 THE OATH

Nada melhor para começar o ano, no dia da possessão do novo (cof cof) presidente do Braçil que um filme que diz muito sobre o que está prestes a acontecer por aqui.

The Oath (O Juramento) é uma quase comédia do humor mais ácido e crítico possível, que se passa nos EUA onde um governo de extrema direita (sim, eles falam do larajinha de lá, mas pode ser o bolsadebosta daqui) que promulga uma lei onde todos os americanos devem assinar um tal juramento prometendo que sejam leais ao presidente e ao governo, por pior que ele seja.

Claro que não é todo mundo que assina nem concorda e com isso, várias cidades começam a ter confrontos nas ruas de cidadãos desrespeitados por não pensarem como o governo nazi.

Sim, eles falam em nazismo e Hitler o tempo inteiro, comparando na cara dura o que rola agora e o que rolou lá quase 100 anos atrás.

O filme se passa na casa de uma família típica liberal de esquerda americana formada por uma negra (Tiffany Haddish em seu primeiro papel mais sério, mandando bem), seu marido judeu (Ike Barinholtz, que também escreveu e dirigiu o filme) e sua filha pré adolescente.

Nos dias do feriado de Ação de Graças, eles recebem para os próximos 3 dias a família de Chris, seus pais, o irmão que ele odeia e sua namorada escrota de direita leitora de fake news e sua irmã com o marido doente e os 2 filhos pequenos.

Claro que esses encontros de família nunca dão certo e o que a gente passa aqui no Natal encontrando e tendo que lidar com parente ignorante lá eles sofrem nesse outro feriado.

O problema é que do nada, depois de muita briga e discussão, entram em cena 2 homens que são de uma suposta “milícia” que vigia e quer conversar com pessoas que não assinaram o Oath do título, o juramento.

Sim, esses caras que não são da polícia nem do governo nem nada, são um grupo qualquer, se acham no direito de monitorar o que pensam que discorda deles.

Sentindo cheiro de semelhança no ar?

O que estava ruim com as diferenças familiares, só piora quando entram esses perdidos na jogada.

The Oath mostra muito do que estamos passando por aqui e pior ainda, nos mostra o que já está praticamente acontecendo por lá e que se não tomarmos cuidado, acontece por aqui também. Desde as desavenças familiares por diferenças de opiniões até a necessidade patológica de ficarmos online o tempo todo tentando saber o que está acontecendo em todos os lugares. E o melhor, como 2 fontes opostas de informações influem na leitura dos acontecimentos.

The Oath não é ficção científica, como disse é uma comédia onde só rimos de nervoso pensando: “fudeu”!

O filme é bem escritinho mas é mal dirigido, com sequências idiotas de planos sequências onde um diretor meia boca, que deveria ter se contentado em escrever e atuar, tentou mostrar que ele também sabe o que fazer com a câmera. Só que não sabe, e acaba tirando muita graça e um certo frescor do filme.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

Leave a Reply