Green Book: O Guia se não mais nada é o melhor show que um dos melhores atores americanos de todos os tempos poderia no oferecer: Viggo Mortensen, te amo.
O filme conta uma história real doida, passada em 1962, onde um troglodita italianão, Tony Lip, vivido pelo Viggo, que trabalha de leão de chácara no Copacabana Club em NY e que por um período vira o motorista/segurança/road manager/amigo de um dos maiores pianistas americanos, Doc Don Shirley em uma turnê de 8 semanas.
O “problema” é que a turnê é no sul super preconceituoso americano e o detalhe é que Doc Shirley é negro. E como vemos, o cara pode ser o Beethoven negro, mas por lá, ele continua entrando pelos fundos, usando o banheiro de negros e não podendo se hospedar e nem comer em lugares só para brancos.
Tudo isso eles aprendem pelo livro verde do título, um manual de como os negros “deveriam se comportar” por lá.
De novo, o filme se passa em 1962, mas parece que realmente se passa em 1862. Sei que vemos cada vez mais filmes sobre esse assunto, sobre como o sul americano sempre foi um lixo, mas é o tipo de comportamento que eu não entendo por mais que me esforce.
Se eu pensar bem, do jeito que as coisas andam por aqui com o bando que está em Brasília, capaz de tentarem lançar um desses livros verdes pras minorias brasileiras.
Vamos ao que viemos: o filme é ok, bem dirigidinho, bem escrito, com dramas suficientes para nos solidarizarmos com Doc Shirley e o ogrão e com pitadas de humor suficientes para aliviar a tensão.
Aliás, o filme foi escrito pelo filho do próprio Tony Lip e é dirigido pelo Peter Farrelly, o cara responsável pelos épicos Quanto Mais Idiota Melhor.
E Farrelly se mostra muito bom, deixando Viggo com cara de italiano grosso de NY da época dando a ele os melhores textos dos diálogos e não só, mostrando que a barrigona, o rosto esticado e a transformação que o personagem sofre nesse épico sobre 4 rodas é de uma lindeza ímpar.
Viggo é Viggo, o cara é o ator americano mais subestimado de todos, muito por não ceder ao sistema de Hollywood e querer viver sob suas próprias regras.
Mas o mesmo sistema tem percebido que o cara é essencial e que mais cedo ou mais tarde eles vão ter que abrir as pernas para ele.
O grande segredo de Green Book é a despretensão, é ser um filme pequeno, triiiiiste de doer mas que ao mesmo tempo nos dá momentos de pura alegria, por exemplo quando Tony mostra no rádio do carro para o pianista virtuoso quem é Chuck Berry e Little Richard ou quando Doc Shirley ensina Tony a escrever cartas românticas para sua esposa.
Claro que falei um monte do Viggo e tenho que falar do grande, mas grande mesmo Mahershala Ali, que faz de Doc Shirley um dândi como há muito não víamos em um filme americano. E isso é um puta de um elogio.
O vencedor do Oscar de ator por Moonlight mostra aqui que não é homem de um papel só, mostra que é bom e provavelmente deve ser um dos sonhos de diretores de lá.
Hoje é dia de Globo de Ouro e se a imprensa estrangeira for boa, vai premiar o Viggo, que é um dos certos candidatos ao Oscar desse ano.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

