Vamos começar do início. (a resenha pode conter uns spoilers pequenos se você não assistiu o filme original)
Demorei quase 3 dias para conseguir assistir Suspiria.
Primeiro porque a cópia que vazou não tinha legenda e o filme tem uma boa parte falada em alemão.
Daí apareceu uma legenda horrorosa, traduzida do turco e mal sincada e eu parei de novo.
Até que resolvi assistir com o meu parco alemão mesmo e cheguei até o final à duras penas.
Suspiria, a recriação do clássico de terror do Mestre Dario Argento pelo também italiano Luca Guadagnino é uma porcaria, uma bobagem que não tem sentido em ter sido realizada.
Suspiria original é um clássico porque, apesar de todos os seus pesares, é um marco estilístico e estético, um choque mesmo para os doidos e psicodélicos anos 1970 e o principal, com a melhor atuação de uma das divas do cinema, a americana Jessica Harper, no papel de uma dançarina (americana, claro) que vai estudar em uma renomada escola alemã de dança contemporânea só que mal sabia ela, na verdade é um covil de bruxas. (Só um adendo e um elogio ao Luca, Jessica faz uma ponta nesta nova versão, coisa linda de se ver)
No novo Suspiria a americana é a já veterana colaboradora de Luca, Dakota Johnson, que está até que bem no papel que lhe cabe, me surpreendeu principalmente nas cenas de dança.
Já a bruxona, ops, a cabeça da escola de dança, é outra veterana colaboradora de Luca, a minha, a sua, a nossa musa Tilda Swinton.
E aqui dou os parabéns (#sqn) ao diretor por ter conseguido criar o pior papel da carreira de Tilda neste Suspiria, não só como Mme Blanc, a dançarina, mas também como o psiquiatra Dr. Klemperer, numa caracterização esdrúxula que mais atrapalha do que ajuda o filme.
Aliás, o que tem de coisas que atrapalham o filme não tá escrito.
Como todo filme de Guadagnino, Suspiria tem uma fotografia e uma direção de arte lindas. Os detalhes dos cômodos da academia de dança são lindos, muito bem iluminados e decorados.
Já o figurino do filme, parte fundamental para contar a história, erra feio. É um apanhado de roupas sem sentido, com umas estampas que me doem a cabeça só de lembrar hoje, horas e horas depois de ter visto o filme, e olha que eu não me apego muito a isso.
A grande coisa do filme é a edição: o que se salva em Suspiria foi com certeza salvo em horas e dias e meses de edição. E mesmo assim, o filme tem quase 2 horas e meia de duração, pra contar uma história que já foi contada em 1 hora e meia lá em 1977 e que já foi de longa duração.
Ao invés de enxugar, Guadagnino relaxou e colocou uma boa hora desnecessária no filme.
Na minha opinião, toda a ação que se passa fora da Tanz Academy é desnecessária, não ajuda e só atrapalha.
O tal médico que a Tilda vive é uma bobagem que o diretor deve ter achado que seria uma ideia genial e fuen fuen fuen, errou na mosca.
Não acho que o filme poderia se salvar a partir do que nos é mostrado nesse périplo entediante.
Mas Suspiria nos entrega a melhor sequência de terror do ano até agora, a primeira sequência de dança na Tanz onde um ensaio ocorre em uma sala e uma aluna sofre as consequências em outra.
A crueldade misturada com a beleza absurda da cena me fez lembrar muito Cronenberg, dos bons tempos de seu cinema de carne. E o melhor, a forma como a sequência é resolvida, quando as mulheres/bruxas entram na sala de espelhos para “recolher’ a dançarino é bom demais.
Eu sinceramente achei que Luca seguiria essa linha de filme e de estética de terror pelo filme e me equivoquei, infelizmente, porque ali o filme tinha futuro.
E aqui digo qual é o grande problema de Suspiria: o filme não tem um roteiro consistente. As sequências do filme, que são sete, olha só, parecem serem independentes, ou parecem cada uma pertencer a um filme diferente.
O gran finale, a resolução do filme, o “encontro” das bruxas, a orgia, o que deveria ser a maior banho de sangue do cinema parece que foi tirado de um filme Z com um pouco de dinheiro pra cenário e um drone bom pra fazer cenas lá do alto pra mostrar a coreografia.
Vou terminar com 2 elogios rasgados.
A atriz semi brasileira Mia Goth é a grande estrela do filme, tem o melhor papel e parece que é a única que não precisou de muita direção pra entregar o que entregou. Ou se foi bem dirigida, Luca deveria ter dirigido o resto todo do elenco da mesma forma.
E outra coisa que funciona muioto, mas muito bem é a trilha do filme, do meu mestre, amo e senhor Thom Yorke. Venho ouvindo a trilha faz uns bons meses já e não imaginava que algumas canções com letra pudessem funcionar em um filme de terror e, para meu espanto e felicidade, funcionaram muito bem.
NOTA: 🎬🎬

