Michael Mayer, o diretor de A Gaivota, é um diretor de teatro americano, famoso por seus sucessos na Broadway.
E Michal Mayer é a prova viva de que ser um bom diretor de teatro não significa que a pessoa também seja um bom diretor de cinema, muito pelo contrário.
A Gaivota é baseada na clássica peça de Tchekhov de mesmo nome, no panteão ao lado das maiores peças de Shakespeare com certeza.
Conta a história de uma famosa atriz russa que volta a sua casa no interior, junto de seu namorado, um famoso escritor mais novo que ela, para visitar o irmão doente.
Lá reencontra seu filho que quer ser um escritor e é renegado pela mãe que o considera vulgar por se afastar dos clássicos, encontra um ex amor de sua adolescência mas para seu desespero encontra a namorada do filho, uma linda jovem que quer se tronar uma atriz famosa, por quem seu namorado escritor se interessa.
E o drama está formado, quase num carrossel de Drummond, onde um gosta do outro que gosta do outro até fechar a roda.
A grande coisa da peça, e que por sorte temos no filme, é o texto de Tchekhov, tão profundo e potente que causa arrepios em vários momentos.
Ainda mais com o elenco quase perfeito com Annette Bening como a atriz, Saoirse Ronan como a jovem sem talento, Elizabeth Moss como a prima “gótica”, Corey Stoll como o escritor famoso e para minha felicidade, Brian Dennehy, como o irmão doente que como o próprio personagem diz, “o homem que quase foi”.
O problema do filme é que A Gaivota é um filme medíocre, um filme na média, apesar de tudo isso de bom.
O diretor ainda teve a perspicácia de chamar um diretor de fotografia surpreendente, Matthew J. Lloyd, que salva muito as cenas com seus closes e bricandeiras de foco.
A Gaivota não é teatro filmado, grazzieadio, mas também não é um filme bem feito.
Parece mais uma adaptação da peça para uma novela das 9 da globo, linda e ordinária, adaptação rasa, sem dar chance para brilho a todo esse elenco absurdo com um dos melhores textos de todos os tempos.
NOTA: 🎬🎬1/2

