Assassination Nation
Imagina se o Paul Thomas Anderson resolvesse fazer um filme sobre o caos adolescente de hoje em dia com instagram, sexo fácil, drogas, bullying, sexismo, homofobia, transfobia, daí pra baixo.
Esse é Assassination Nation, uma fábula do século XXI que já começa com um aviso do que podemos esperar.
Eles só esqueceram de dizer que o filme é melhor do que o povo tem falado por aí.
O roteiro é quase o básico de um filme de adolescentes na escola em uma cidadezinha de subúrbio americano em 2018, onde a principal das 4 meninas doidinhas começam as receber ameaças a torto e a direito depois que um hacker começa a vazar conteúdo de celulares de muita gente de lá.
Primeiro o cara vaza fotos e vídeos de sexo gay do prefeito anti-LGBTQ.
Depois o cara vaza o conteúdo do diretor da escola e o povo, que começou a pirar, vê fotos da filha pequena do diretor como material pedófilo.
E as coisas vão piorando de forma exponencial.
E o roteirista e diretor Sam Levinson aprendeu direitinho com P.T. Anderson e não poupa nada nem ninguém na história.
Assassination Nation vai mostrando o quanto o desespero vai tomando conta de uma população que não pensa e segue uns idiotas moralistas porque todos eles, população e os moralistas, tem o rabo preso e não podem sequer pensar que seus dados serão levados a público.
Meio o que pode estar acontecendo por aqui na política, gente mal intencionado à frente da manada que não pensa.
Assassination Nation é um filme baratíssimo, custou menos do que qualquer comédia da Globo Filmes e parece filme de milhões de dólares, porque o diretor sabe onde colocar a câmera para ajudar a contar sua história.
O cara faz uns planos sequência no filme, aqueles sem cortes, que são de deixar de boca aberta, muito culpa de uma direção de fotografia brilhante.
E a escalada de tensão e violência do filme são obras de mestre, onde personagens multi facetados vão, a cada momento que o filme passa, se mostrando cada vez mais interessantes e mais desesperador, indo de um drama meio engraçadão ao terror sangrento mais absurdo (e lindo) possível.
Todas as glórias também devem ser do elenco, principalmente as 4 meninas Odessa Young, Suki Waterhouse, Hari Nef e Abra.
Detalhe para a atriz trans Hari Nef e sua personagem Bex que quase rouba o filme.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

