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31/2019 NO PORTAL DA ETERNIDADE

No Portal da Eternidade é o filme escrito e dirigido pelo grande Julian Schnabel sobre os últimos dias da vida de de Van Gogh.

O filme não é uma biografia do pintor tão conhecido e tão amado, mas sim uma interpretação muito pessoal das últimas cartas que o pintor trocou com seu irmão Theo, o que por si só é um dos maiores legados que um artista já deixou.

A grande coisa do filme é o olhar particular de Schnabel de como Van Gogh teria se comportado a partir do que sabemos hoje em dia.

Sendo um artista plástico antes de um cineasta, Julian mostra os dias e a obra do holandês como nunca vimos no cinema.

O filme tem muito close, muita gente falando com Van Gogh, olhando para a câmera e o melhor de tudo, tem muito do que provavelmente seria a visão do artista, deturpada ou distorcida nos seus momentos finais de vida.

Eu já vi muito filme sobre Van Gogh, mas é a primeira vez que vejo alguém que o interpretou como um artista, delicado, melancólico, um cara perdido, deprimido e muito, mas muito sensível.

E a culpa disso é toda de Schnabel porque, além de ser tão sensível quando Vincent, ainda colocou um dos maiores atores americanos nesse papel tão lindo, Willem Dafoe.

Dafoe pra mim acaba sendo a grande coisa do filme e o que estragou um pouco do filme também.

Aqui explico: Van Gogh morreu aos 37 anos de idade; Dafoe tem 63!

Obviamente que a experiência de Dafoe faz toda a diferença no personagem, mas fico imaginando alguém mais novo, com cara mais nova sofrendo como ele sofre no filme.

Claro que isso é um preciosismo ridículo meu, mas me senti como quando vejo um filme sobre Hamlet com um ator de 30 anos de idade interpretando um personagem de 18 anos.

As marcas de idade no rosto de Dafoe acentuam mais ainda o sofrimento de Van Gogh e ao mesmo tempo os justifica.

Na minha opinião, uma das grandes coisas de Van Gogh sempre foi o peso que ele carregou em tão pouco tempo de vida, todo o seu sofrimento, que acabou sendo o seu algoz, em um homem de 37 anos é um absurdo.

Os closes dos quadros sendo pintados, as pinceladas que a gente enxerga e que Gauguin disse pra Van Gogh que mais pareciam “esculturas”, o modo como ele procura a luza, como pendura os quadros, uma detalhe mais impressionante que o outro.

No Portal da Etermidade é lindo, Dafoe merecia ganhar prêmios e mais prêmios, Julian Schnabel tem que ser reverenciado sempre e a direção de arte e de fotografia deverão servir de inspiração para muitos filmes que estiverem por vir.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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