Uma das histórias mais legais e mais fortes dos anos 1990’s é a da criação do Black Metal Norueguês e tudo o que veio na sequência.
Ouso em dizer que esses metaleiros radicais do país menos radical de todos são a última “tribo” da cultura jovem que foram relevantes e fizeram alguma coisa real e relevante, apesar de totalmente condenável, em princípio.
Eu já assisti um sem número de documentários sobre essas histórias e quando soube desse Lord Of Chaos, fiquei com os 2 pé atrás, ainda mais por ter sido escrito e dirigido pelo postar Jonas Akerlund.
Quebrei a cara: o filme é o máximo.
Claro que é uma versão mais sanitizada da história, com um monte de “lendas” que foram juntadas, personagens não tão radicais, mas Lords Of Chaos é bem divertido, bem escrito, muito bem dirigido, com um elenco ótimo e o mais legal, são atores jovens que vivem personagens jovens contando uma história de molecada, não como um bando de metaleiro do mal com voz grossa botando medo só de olhar.
A história é sobre uns moleques noruegueses que tinham à época entre 17 e 20 anos de idade, que ouviam metal, mas radicalizaram na música que criaram e inventaram talvez o gênero mais radical do metal, com uma filosofia única e com um final tão radical quanto as vidas que viveram.
Os caras começaram criando a banda chamada Mayhem, satanistas, contra a igreja que tomou o país dos deuses nórdicos, não faziam shows porque diziam que não eram popstars e que faziam música para incomodar, pras pessoas terem vontade de se matar.
Até que seu vocalista, Dead, se matou cortando os 2 braços, o pescoço e ainda deu um tiro de 12″ no meio da testa, numa das sequências mais fortes e mais difíceis de eu ver em um filme ultimamente.
Euronymous, o guitarrista e criador da porra toda, fotografou o amigo morto, comeu seu cérebro e pegou pedaços de seu crânio estourado e fez pingentes para que os integrantes da banda usassem e tivessem o cara para sempre com eles.
E assim a lenda toda do black metal começou a tomar corpo.
Só que ele não esperava que se juntaria ao grupinho do mal um cara chamado Varg, um satanista, vegano, nazista e segunda eles, um grande músico que fez um álbum solo que vendeu um monte não só pela música, mas também porque Varg começou a colocar fogo em igrejas.
Sim, o cara começou queimar igrejas cristãs porque dizia que elas foram construídas sobre solo sagrado nórdico. E isso começou a ser o maior marketing possível para o black metal.
Na vida real, Varg e Euronymous foram inimigos mortais, no filme nem tanto.
Para fins cinematográficos, acho que valeu a adaptação que Akerlund fez, porque o filme é muito bem sustentado pelo roteiro bem escrito e por uma sensação bizarra de vida real, ao contrário das lendas super idealizadas dos doidões noruegueses.
Claro que eu queria uma versão hardcore XXX da história, mas não sei se um dia isso será possível.
O próprio livro que Akerlund se baseou para seu roteiro já é mais punk que o próprio filme, mas eu juro que curti.
Em épocas de usar um ator de 60 e tantos anos pra fazer um Van Gogh de 35, ver o elenco de Lord Of Chaos tão bem dirigido como foram me dá um alívio tremendo (fora que tem a Sky Ferreira detonando <3 ).
Nunca me justifico em relação às notas dos filmes que dou aqui, mas dessa vez estou sendo super fã babão.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

