Essa semana ia só assistir filme fofo, comédia romântica, draminha mas acabei vendo um dos filmes mais doentes que vi ultimamente.
Donnybrook é um tipo de um “festival” de luta ou de briga onde uma galera, dentro de uma jaula enorme, se bate sem regras num vale tudo mortal organizado por um nazi doido.
E o vencedor sai de lá com 100 mil dólares.
Olha que fofura.
Só que a história do filme Donnybrook é a de Jar (meu preferidíssimo Jamie Billy Elliot Bell), um ex militar alucinado, casado com uma junkie, com 2 filhos pequenos já delinquentezinhos e que pretende ganhar a luta para dar uma vida nova à sua família zuada.
Só que pra chegar ao momento da luta o cara vai ter que fugir de polícia, assaltar a loja de armas para ter dinheiro pra pagar a participação na luta, vai ter que brigar com o traficante da esposa, vai ter que esconder o filho, num roteiro de bizarrices e desvios como há muito não via num filme.
Ninguém em Donnybrook é ok.
Ou o cara é junkie, ou ladrão, ou traumatizado de guerra, ou traficante muito do mal também viciado, ou faz sexo com a irmã, ou é corrupto, ou é violento ou tem pelo menos 3 desses adjetivos citados.
A trilha do filme é maravilhosa, pesada, ensurdecedora, parece a música de uma missa desgraçada dos infernos e eu acho que é o que dá ritmo ao filme, graças ao pupilo do mestre Andrew Weatherall, Phil Mossman.
Donnybrook foi dirigido por Tim Sutton que até então vinha fazendo uns filmes bons mas esquecíveis. Mas se esse for o caminho futuro do cara, que venham mais.
O filme parece que foi dirigido pelo Malick doido de metanfetamina também, ou de bath salts, sei lá.
Ou você ama, ou odeia, não tem meio termo.
Como falei da trilha, o filme tem um ritmo lento, quase arrastado, diferente do que eu esperaria de um filme tão doente como esse.
Sutton não tem pressa de mostrar esse americano desgraçado, que só faz merda, sobrevive não se sabe como e que só cria problema.
Eu tinha dito que Fronteira tinha a melhor cena de sexo de 2019, mas Donnybrook ganhou: a irmã mais nova do traficantezão, bem filhadaputa também, transa com um cara todo ensanguentado que acabou de levar uma surra do irmão numa cena absurda.
De novo e me desculpe pela hipérbole, mas o filme é bem doente.
Ou talvez seus personagens sejam mais doentes do que eu esperava e o diretor deve ter até segurado uma onda com o ritmo, mas só também, porque ele faz questão de nos mostrar em minúcias microscópicas o quanto ninguém está nem aí com ninguém num país totalmente destruído em sua base podre que ninguém nem sabe como chegou a esse fundo de poço.
O que eu gostei do filme é essa crueza, essa frieza, essa falta de compaixão não só das personagens, mas também do roteirista e do diretor.
O filme é uma porrada na nossa cara atrás da outra e, apesar de sabermos o que nos espera, não cansei de ficar de boca aberta chocado com as cenas que eu assistia.
E só pra terminar tenho que falar do quarteto principal do filme: além de Jamie Bell, Frank Grillo, James Badge Dale e a maravilhosa Margaret Qualley, que estrelou o meia boca IO mas que arrasa aqui como a tal da traficante “fodona”.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬


Um pensamento sobre “61/2019 DONNYBROOK”