Never Grow Old apareceu pra mim do nada e eu quase nem dei bola porque morro de preguiça de western.
Mas um western com o John Cusack e o Emile Hirsch eu não tive como deixar de assistir e recomendo com todas as forças esse filme, que tem o vilão mais frio, cruel e fiodaputa dos últimos tempos.
Never Grow Old se passa num vilarejo no meio do nada à época da corrida do ouro americana. Além de ser no meio do nada, esse vilarejo já está em total decadência porque o ouro que teria por perto já não tem mais.
Guiados por um pastor evangélico radical, obviamente, o povo todo usa preto, vive no meio do barro, num lugar quase lúgubre, um cenário de filme de terror.
Eis que uma noite chuvosa, 3 homens batem a porta da casa do coveiro da cidade ( um personagem perfeito para E. Hirsch, como há tempos não o víamos em um filme) e pede informação sobre um morador. E exige que ele os leve até a casa do homem. E depois exige que sua esposa, linda e francesa, faça um jantar para os 3.
Comandando os quase cavaleiros do apocalipse está o tal vilão que falei ali acima, Dutch. Se você pensasse no pior vilão de um western, garanto que não chegaria a Dutch.
O cara é cruel demais, frio, subjuga as pessoas com seu olhar impiedoso e se não for o suficiente, mata a sangue frio como se estivesse cutucando o nariz.
Para um personagem desses, a melhor coisa que o diretor irlandês Ivan Kavanagh fez foi escolher um grande ator, com capacidade de dar camadas e camadas de “mal” e não só criar um demônio sem graça: John Cusack só não rouba totalmente o filme porque não aparece mais que o casal do coveiro e a francesa linda.
Obviamente um diabão precisa estar ladeado por demoniozinhos idiotas mas também cruéis e desgraçados e Dutch tem seus dois, um italiano magrelo besta e um gigantão sem a língua que só murmuro e parece tarado o tempo todo.
O western é um gênero cinematográfico, no meu ponto de vista, menor. Os filmes são sempre parecidos, as personagens são quase as mesmas, só mudam as histórias.
De vez em quando aparece um Buster Scruggs da vida e mais de vez em quando ainda aparece um Never Grow Old, onde a desgraceira e (de novo) crueldade imperam.
Não só Never Grow Old tem muito mais sangue do que estamos acostumados a ver em um western, que é sempre cheio de mortes em saloons e duelos, mas o filme é cheio de grandes oportunidades de roteiro que foram lindamente filmadas, apesar da quase obviedade da história.
Resumindo: você sabe praticamente tudo o que vai acontecer no filme, só não espera que aconteça do jeito que acontece, muito menos com as personagens tão bem construídas deste filme quase perfeito.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

