91/2019 DUMBO

A expressão “bonitinho mas ordinário” encaixa como uma luva em Dumbo, a versão live action do clássico da Disney dirigida por Tim Burton.

Antes de mais nada queria elogiar até o fim da vida a própria Disney por dar rios de dinheiro para um diretor doido e maravilhoso como Tim Burton para contar uma história tão fofa e maravilhosa e pesada e sinistra e triste como Dumbo.

E depois queria dizer que uma das coisas que eu mais gosto na vida é de assistir filmes bons do Tim Burton. Ou pelo menos filmes onde ele esteja em grande forma.

E em Dumbo ele está.

Se tem uma coisa que Tim Burton faz bem é criar universos, mesmo para uma história tão conhecida como do elefante de orelhas gigantes que é separado de sua mãe e vive uma vida triste no circo por isso.

O circo de Dumbo, falido e decadente, é das coisas mais legais da Disney, com seus personagens estranhos e fascinantes, os freaks, os bonzinhos, as crianças.

O circo novo, para onde Dumbo e todo o povo do circo porcaria é levado, é uma versão maravilhosa de um circo do futuro e de um parque de diversões maravilhoso do começo do século XX e que nada mais é que uma visão do que viria a ser a Disneyworld.

Uma das cenas mais legais do filme se passa dentro do mundo da ciência, uma das atrações desse parque, que parece um brinquedo antigo do Epcot Center que mostra o mundo do futuro, a casa do futuro e o absurdo que é a família do futuro na visão de Burton com o pai usando vestido e a mnae de terno, gravata e fumando.

Ah, a história de Dumbo é a que todo mundo conhece, uma elefanta velha de um circo decadente dá à luz um filhote de orelhas gigantes. O que seria a salvação do circo, uma nova atração fofa, acaba sendo o desespero do dono do circo, vivido pelo mais que ótimo Danny De Vito. Ele fica tão desesperado que devolve a elefanta pela metade do preço que pagou.

O que ele não esperava, que acaba sendo a sua salvação, é que o filhote bizarro consegue voar com suas orelhas enormes, atraindo muita gente para o circo.

Melhor ainda: o dono de um circo gigante e famoso, resolve comprar o circo com tudo dentro para ter a maravilha voadora em seu show.

Esse dono é vivido por meu preferido Michael Keaton, ator icônico e fundamental de Tim Burton, seu Batman e seu Beetlejuice.

Além dele, outra constante do diretor está de volta, Eva Green, no personagem mais perdido de Dumbo. Ela é a companheira do vilão que em 5 segundos de convivência com as crianças que cuidam do Dumbo vira a mulher mais fofa da face da Terra estranha de Burton.

Todo mundo sabe como o filme começa, se desenrola e termina. Dumbo é a história mais lindinha e triste de todas da Disney, se bobear.

E o que me deixou arrasado foi que Tim Burton, o rei gótico, tirou toda a tristeza de seu filme. E fez o filme mais fofo de sua carreira.

Queria lágrimas, queria crianças gritando no cinema quando separam a mãe do filhote, queria crianças gritando quando Dumbo vai voar e quase se estatela no chão.

Mas não, o filme é fofo, o filme é lindo e até a vilã é bacaninha, vencida pelos olhos azuis e orelhas enormes do paquiderme.

Dumbo seria o filme do ano se seu roteiro não fosse tão pedestre, tão sem graça e tão, mas tão passador de pano.

Uma pena, porque o filme é lindo, com a direção de arte mais impressionante do ano, trilha perfeita, elenco ótimo, desperdiçados por uma historinha de nada.

NOTA: 🎬🎬🎬

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2 pensamentos sobre “91/2019 DUMBO

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