105/2019 GUAVA ISLAND

Temos o pior filme de 2019.

Guava Island é o cúmulo da punheta e auto-lambeção e indulgência de Donald Glover.

O cara é bom pra caramba: foi redator do Saturday Night Live, tem um projeto musical maravilhoso, Childish Gambino, escreve e produz e estrela Atlanta, uma ótima série, faz clipes incríveis e mais um monte.

Guava Island, segundo um amigo meu, parece um filminho que o cara fez em umas férias com os amigos na praia.

Isso se o cara e seus amigos fossem quase que ignorantes cinematográficos. O que não é o caso.

É verdade que Glover fez o filme com sua turma. Guava Island é escrito por seu irmão (também autor de Atlanta), dirigido por Hiro Murai, o diretor de Atlanta e dos clipes do Gambino que vinha galgando degraus infindos de uma escadaria de ouro. Mas certeza que Guava Island vai fazê-lo voltar todas as casas.

O filme é estrelado por Glover, que como ator tem uma limitação inominável.

Pior, o filme tem Rihanna, sim, a própria, a ex-cantora, como a namorada do personagem de Glover e, claro, Rihanna faz o papel de co-adjuvante sem talento como em todos os filmes que ela participa.

Mas quer pior? Rihanna não canta. Em um filme musical.

O Glover deve ser tão cuzão que não quis dividir o foco nem com a fodona da Rihanna.

Quando eu disse ali que era um filme musical eu preciso esclarecer que Guava Island não é nem filme, nem musical. Nem um clipe de quase 60 minutos. Nem nada.

Glover deixa claro que as maiores inspirações do filme são Cidade de Deus e Footloose.

Sim, pode dar uma gorfadinha rápida.

O filme se passa em um paraíso tropical, onde todo mundo usa roupa da mesma cor dependendo do que se está dizendo no filme (até a direção de arte é tosca, 100or).

Ele é um cantor meia boca que trabalha numa rádio como locutor sem graça e que é apaixonado pela personagem da Rihanna, uma lindona que trabalha na fábrica de roupas também sem vontade nenhuma.

Pior que os 2 serem meio niilistas per se, o casal não tem a menor química. Fiquei torcendo para não ter uma cena de sexo ou de pegação boa, porque ia ser a maior vergonha possível.

A personagem da Rihanna diz que ele não tem talento, mas que se ele continuar praticando o resto da vida pode ser que melhore. Isso no início do filme, o que já mostra que vai ser longo o sofrimento.

O tal paraíso tropical onde eles moram tem um dono, o dono da fábrica, da rádio e de tudo mais, que proíbe música e diversão.

Daí que o fofo do cantorzinho resolve fazer um festival de música, bancar a proibição geral e sofrer as consequências.

Entendeu as referências a Cidade de Deus e Footloose?

Rasterinho, né?

Guava Island é isso, rasteiro e nada mais, muito mal escrito, muito mal dirigido e pior, com as piores atuações possíveis do elenco.

Em Mal Nosso eu falei do elenco horroroso do filme que para mim acabou sendo linguagem, acabou funcionando num gore extremo.

Nesta ilha nada funciona, nem elenco, nem ideia, nem a Rihanna, tadinha dela e muito menos o namoradinho da América Donald Glover, que apesar de suas letras anti tudo, é o cara da mídia americana ainda.

Tanto que faz e lança uma porcaria dessas.

NOTA: 1/2 🎬

Leave a Reply