Páscoa, quaresma, tempo de renovação, ressureição, expiar pecados e aqui vou eu: eu amo realities de comida, de variedades e de música.
Assisto um monte de Masterchef e amo o da Australia. Assisto um monte de The Voice e amo o inglês pelos jurados, apesar de sempre abandonar quando acaba a parte de virar a cadeira para escolher os cantores. Amo Top Chef. Amo os Got Talent, me emociono.
Mas devo confessar que a temporada 17 de American Idol, que está no ar, é um pequeno marco nessa indústria tosca do “fazedor” de ídolos musicais americanos.
O programa tem o mesmo formato há quase 20 anos, por onde passaram literalmente milhares de participantes e dá pra contarmos nos dedos de 2 mãos os que permanecem relevantes no mercado.
O que acontece é que essa nova temporada, pra começo de conversa tem Lionel Richie.
A temporada passada, que foi uma volta do programa depois de um pequeno hiato, veio com Lionel, Katy Perry e Luke Bryan como jurados.
Não consegui ver ano passado, o programa parecia fora do eixo. Mas esse ano, os caras devem ter treinado, testado, repetido e repetido de novo porque a coisa veio boa demais.
Lionel é o mestre yoda que o programa nunca teve.
Katy é a palhacita que fala as coisas fofas nas horas certas.
E o tal do Luke, um cara do country, tá lá e não faz diferença.
Mas não é deles que eu quero falar.
Depois de anos, eu estou assistindo a temporada completa por causa de 2 participantes, 2 caras que me impressionaram tanto em suas audições que se um deles não ganhar vai ser outra prova da ignorância do americano médio.
Um deles se chama Uché, um grandão quase desajeitado, com o figurino quase errado que ganha a vida sendo cantor em uma banda de festa de casamento.
Sim, ele é tipo a Madonna e o Prince, tem só um nome. E se como o Prince ele chegasse com um símbolo no lugar do nome, acho que deveríamos inventar uma forma de chamá-lo do tal símbolo.
Semana passada o cara cantou uma versão absurda de “Finesse” do Bruno Mars, como se o próprio Prince tivesse escrito aquela música e gravado como sua e ainda criado uma coreografia com ajuda da Janet Jackson.
Essa semana, na escolha do Top 10, ele fez uma versão de “diamonds” da Rihanna de chorar. Fora a jaqueta de “diamantes” que ele usou que eu já quero uma igual só pra ter em casa.
Quando falei da ignorância do público americano, foi porque eles não escolheram Uché para o top 10, mas pra nossa sorte, Lionel está lá para salvar o show.
O outro cara se chama Alejandro Aranda.
Quando ele cantou a primeira vez, ele parecia um homeless, com cara de sujinho e tudo mais.
Mas quando abriu a boca pra cantar, vou te arrepiar.
Desde então ele tem sido o queridinho da Katy Perry, com razão.
Semana passada ele fez uma versão de uma música do Drake, dessas ruins que a gente ouve no rádio, “One Dance”, que se eu fosse o Drake, contrataria Alejandro só pra escrever músicas e arranjos pra mim.
Ele também fez uma versão de uma música do Post Malone que vai ficar pra história do programa, “I Fall Apart”.
O mais legal do Alejandro é que ao final de sua audição, a Katy perguntou pra ele quem eram seus ídolos. Geralmente as respostas de quem vai num programa desses são os óbvio, “você, a Beyoncé” e mais um monte de artista pop.
Alejandro finamente, educadamente disse que seus ídolos eram 3: Bach, Beethoven e Trent Reznor.
Mike drop.


Um pensamento sobre “American Idol: sim, eu assisto. E curto.”