Começando do começo, eu não gosto de nada que a Claire Denis já tenha feito.
Mas eu pensei comigo “ah, filme no espaço, nave, filosofia francesa, a Deus Mia Goth, Binoche, Pattinson, não tem como dar errado”.
É pessoal, na maioria dos casos a minha primeira percepção não falha.
Olha a ideia de jerico do roteiro: num futuro desesperado qualquer, resolvem encher uma nave espacial com jovens condenados à morte, liderados por uma médica doidona (Binoche, amiga da diretora e que continua passando vergonha em seus filmes).
Pra piorar o roteiro: a missão da nave é ir em direção ao Buraco Negro mais próximo do Sistema Solar. Porque, né, os caras já estão condenados à morte, vamos usá-los pra algo útil, que seria mandar informações sobre o “lugar” que vai matar todo mundo.
Mas não, não tem problema deixar na mesma nave, viajando pelo espaço por anos a fio, um bando de jovens, homens e mulheres, todos bem delinquentes, do mal mesmo.
Ah, tem mais: o suporte de vida deles é diário, com controle na Terra, ou sei lá onde, e eles tem que se virar pra provar que tá tudo bem na viagem. Mas nunca tá tudo bem, claro.
Pra ser mais “malucão” ainda, tudo isso é flashback.
O que realmente está acontecendo é que um dos “astronautas”, Monte (Robert Pattinson, melhor que nunca) e sua filha criança e logo adolescente, vivem como podem dentro de uma nave em direção à morte.
Se as 2 horas de filme fossem focadas nos 2, em seu relacionamento com final anunciado, mostrando o quanto uma criança pode mudar a personalidade de um bandido e por aí vai, o filme poderia ter atingido o nível de pretensão de ficção científica fantástico de cinema cabeça que a diretora Denis esteve procurando.
Eu ia fazer piadinha com os buracos negros do roteiro, com a nave flutuando no espaço ser mais ágil que o filme devagar quase parando mas a preguiça é tanta que nem piada direito saiu.
Nada se salva: a trilha é chata, os personagens são estereotipados, a câmera é bem ruim, a edição falha em muitos momentos constrangendo as sequências.
E o pior de tudo, Juliette Binoche tem a sua pior cena disparada em toda a sua tão prolífica carreira. Eu quase desisti do filme depois dessa atrocidade mal iluminada e mal filmada, mas quis ver até onde ia e vi que o buraco (negro) era mais embaixo.
Claire Denis criou um universozinho tão chato e errado que eu passei as tais 2 horas torcendo pro buraco negro.
O filme começa com pretensão de ser um Solaris do Tarkovsky (nem a refilmagem, porque ela é pretensiosa) e acaba sendo um arremedo de filme profundo no espaço, que deixaria tudo mais profundo porque lá, além de ninguém poder ouvir seu grito, não existem regras.
E pensar que High Life era uma dos filmes mais esperados de 2019.
NOTA: 🎬🎬

