Eu amo o Gus Van Sant.
Elefante, seu petardo sobre os massacres escolares, é um dos filmes da minha vida e não por acaso foi Palma de Ouro em Cannes em 2003.
Mas o cara nem sempre acerta.
E talvez essa seja uma das coisas que mais goste na carreira dele, ele tenta.
De vez em quando acerta brilhantemente, mas por vezes erra na mosca, como poucos diretores erram.
Gerry é um de seus erros homéricos.
Eu falo que Gerry é o filme iraniano de Van Sant, filme de 2002, à época que o cinema iraniano contemplativo estava na moda.
Eu não caí nessa onda iraniana, achava tudo muito chato, uma mistura do pior cinema japonês com o pior do neo realismo italiano.
Daquela época eu só amava o Abbas Kiarostami, um gênio pra mim.
Voltando ao Gerry, o filme é daqueles que nada acontecem, bem contemplativo, só que nesse caso, tudo errado.
O filme é estrelado pelo Matt Damon e o Casey Affleck, quando eles ainda eram péssimos, não que tenham melhorado tanto.
Eles são 2 amigos que chamam um ao outro de Gerry, que resolvem dar um rolê no deserto pra espairecerem.
Ou alguma coisa parecida.
E se perdem, se desesperam, ficam rodando e tentando achar o caminho de seu carro, sem água, sem celular, sem direção, sem camisa, sem nada.
E o nada é também o que acontece no filme, 2 caras andando desesperados, sem nem falarem, tentando de qualquer maneira sobreviverem.
E claro, acabam “morrendo na praia”.
Arctic é uma cópia cuspida e escarrada de Gerry. Só que no Ártico.
Um cara, perdido no meio do gelo (o fodão Mads Mikkelsen) tenta de todas as maneiras sobreviver enquanto não passa nenhum helicóptero para salvá-lo.
E fim.
Quase 90 minutos disso.
O cara anda, pesca, come, dorme, se fode, passa frio. Repete. Repete. Igual Gerry. Tudo igual. Tudo.
Com certeza você vai ler por aí que é um filme humanista, minimalista, mas é um filme chato pra caramba.
A fotografia é bonitinha, a direção é correta, a trilha é chata demais e o sound design parece uma tortura, o que acaba sendo bom, porque imagino o que não se torna de ruído no meio do silêncio total.
O diretor do filme é um brasileiro, Joe Penna, um dos primeiros e mais famosos youtubers brasileiros de todos os tempos, o Mystery Guitar Man.
O filme tem boas reviews, passou em Cannes ano passado mas eu repito é muito, mas muito chato, nível Gerry, sua “inspiração”.
NOTA: 🎬🎬1/2


Um pensamento sobre “109/2019 ARCTIC”