Li que Temporada era “O FILME”, “a salvação do cinema brasileiro”, “uma revolução”.
Primeiro que não sei se o cinema brasileiro precisa de uma salvação.
Ou mesmo se tem uma salvação.
Só sei que se precisar e se tiver, Temporada está longe de sê-los.
O filme é bom, quase.
Primeiro que tem quase 2 horas de duração com um plot que não dura isso tudo, o que já me fez querer levantar em vários momentos da exibição.
Depois que tem um ranço de neo-irã-realismo que em 2019 já não me diz muito, a não ser que os não atores sejam gente de verdade.
Mas o filme tem um trunfo, daquelas cartas que ganham o jogo no final: Grace Passô.
A atriz é Juliana, uma mineira que muda de cidade por ter conseguido um emprego como funcionária pública, depois de um tempo desempregada, e espera que seu marido resolva suas coisas para logo encontrá-la.
Mas ele nunca vai.
E o pior, não só ele não aparece como ele some, não atende mais seus telefonemas, não responde suas mensagens, o que é acompanhado por sua família, inclusive.
E ela fica com sua vida em suspense sem saber se ele vem, se ele morreu, se ele não vem, se ela fez alguma coisa errada, onde ela vai morar, com quem, como, quando.
São muitas e muitas as perguntas que por grande parte do filme ficam sem resposta.
E Juliana, mineira, do interior, tranquila, leva isso tudo com um desespero tão calmo que chega a irritar.
Como o próprio Temporada.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

