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117/2019 JT LEROY

JT LeRoy é o típico filme bunda mole baseado em uma das histórias reais mais subversivas deste século.

Lançado em 1999, Sarah foi o primeiro livro de JT LeRoy, um escritor estranho, recluso, que contava a história de um menino, filho de uma prostituta de parada de caminhão, que se vestia de menina para se prostituir com a mãe.

O livro é o máximo. Eu mesmo o tenho, comprei logo que saiu por causa de todo o hype criado em torno, onde não só a história era boa mas também baseada na vida real do próprio autor.

O problema, ou o gênio, era que JT LeRoy não existia, ele era uma personagem criada pela escritora Laura Albert, que se comunicava com jornalistas e editores via telefone e email como sendo JT LeRoy.

O sucesso foi sendo tão grande que todo mundo queria ver JTL. Laura contratou sua cunhada Savannah para se passar pelo escritor, com peruca, roupas estranhas e uma personalidade beirando o limite da timidez, sempre de óculos escuros.

A farsa durou meses: JT era capa de todas as revistas cool da época, atores, atrizes, personalidades, estranhos, freaks, todo mundo queria um pedaço de JTL, todo mundo queria ser seu amigo.

Ele era o cúmulo do cool.

Até que um jornalista um pouco mais perspicaz descobriu a farsa e o castelo de cartas caiu.

O que poderia ter sido vendido como uma performance, uma obra de arte em si com outras obras de arte dentro, como o livro e a criação do personagem, acabou virando um desastre porque Laura assinou contratos em nome de JTL e ela foi processada e perdeu judicialmente.

O filme.

É uma novelinha bem produzida com um puta elenco.

Kristen Stewart é Savanaah/JTL, a cunhada que dá vida ao personagem/autor do livro.

Eu, como um bom fã da fofa, acho esse um dos grandes papeis de Kristen, ela tá bem demais e nas cenas dela como Savanaah eu fiquei bem apaixonado.

Laura Dern é Laura, a autora do livro, criadora de JTL, a mentirosona, a autora de 40 anos de idade frustrada por nunca ter feito sucesso e que se frustra mais ainda quando faz um puta sucesso e não pode aproveitar.

Todo mundo ama Laura Dern, eu principalmente. E nesse filme ela de novo mostra que é a grande atriz americana de sua geração. Ela como a idiota doida da Laura escritora é de dar raiva, que é exatamente o que eu senti pela mulher quando a história veio à tona.

O filme ainda tem outra musa, Diane Kruger, no papel da Asia Argento, que cai como uma patinha na história toda, compra os direitos de Sarah, dirige o filme, faz o papel da mãe puta de JTL, lança em Cannes e se fode lindamente porque além de tudo, o filme é tão ruim que eu demorei até agora a pouco para me lembrar dele.

Pra fechar o quarteto feminino, Courtney Love é uma fodona de Hollywood que recebe JTL em sua casa meio que o apresentando para o showbusiness americano.

Eu odeio a Courtney por ela ter matado o Kurt (sim, eu acho) mas ao mesmo tempo eu a amo, acho ela muito competente, artista de mão cheia, apesar de não ser genial em nada. Mas é a mulher completa, talentosa o suficiente para chegar onde está.

Resumindo: se a história de JT Leroy fosse transformado em uma mini série da Globo, eu acho que teria mais profundidade que esse filme. E JT Leroy mostra que não adianta ter um elenco maravilhoso se diretor e roteiro não prestam.

Mas eu ainda tenho esperança que a história toda seja contada em um filme sob o ponto de vista da doida da Laura, a criadora e quem se fudeu mais que todo mundo. Vou mandar um email pra ela.

NOTA: 🎬🎬

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