132/2019 DIAMANTINO

“O amor tem razões que a própria razão desconhece”.

Diamantino, o herói desta fábula, cita Shakespeare sem saber e o melhor, poderia dizer que seu filme homônimo tem razões que a própria razão desconhece.

Diamantino é uma paulada na nossa cara, com luvas de pelúcia fofas cor de rosa.

É uma viagem psicodélica, onírica bem doida sobre o maior jogador de futebol da atualidade, Diamantino, cópia cuspida e escarrada de Cristiano Ronaldo.

Com um sucesso e reconhecimento gigantes, Diamantino vê seu mundo ruir aos seus pés quando perde um pênalti na final da Copa do Mundo e deixa Portugal como vice campeão.

Depois disso ele resolve largar o futebol e descobrimos que tudo que ele tem de gênio da bola, tem de ignorante sobre todo o resto da vida.

Diamantino é um irmão bem próximo das doideiras de Yorgos Latymos e do petardo português O Ornitólogo.

Quando está em campo, Diamantino joga como se tivessem cachorros peludos fofos e gigantes com ele no gramado e com isso, em seu mundinho pessoal e delirante, ele é um gênio.

Quando para de jogar, suas irmãs do mal, gêmeas que só querem saber do seu dinheiro, o vendem para um experimento genético, fazem dele a cara de uma campanha neo-fascista para separar Portugal da Europa e fechar suas fronteiras para refugiados e daí pra baixo.

Os diretores Gabriel AbrantesDaniel Schmidt conseguiram o feito de contarem uma história totalmente política e atual da forma mais absurda de todas. Para nossa sorte.

Diamantino parece um filme engraçadão, despretensioso, bizarro demais para ser levado a sério mas é o exato oposto.

Enquanto eles nos encantam com imagens absurdas e lindas, cheias de fofuras e brilhos, nos vão jogando na cara problemas do nosso dia a dia nesses anos estúpidos que temos vivido.

Imagine uma princesa da Disney dos anos 2020, linda, poderosa, delirante, que todos amam e que não faz ideia do que acontece a sua volta, que vive em seu universo particular e peculiar.

Esse é Diamantino, parte sátira, parte fantasia, parte thriller, parte ficção científica, parte sei-lá-o-quê.

Diamantino passou na Mostra de São Paulo em 2018 e eu não consegui assistir, apesar de um amigo ter me dito que eu não poderia perder o filme. Finalmente a internet me presenteou com essa belezura. Belezura, aliás, é Carloto Cotta, ator de muitos atributos que surpreende como Diamantino.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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