143/2019 GLORIA BELL

Como se dar bem em Hollywood em pouco mais de 1 ano: em 2018 o chileno/argentino Sebastian Lelio ganhou o Oscar de Melhor Filme de Língua Não Inglesa com o maravilhoso Uma Mulher Fantástica.

Desde então ele lançou o ótimo Desobediência com Rachel Weisz e Rachel McAdams e agora lança Gloria Bell, refilmagem de seu próprio filme Gloria de 2013, mas agora em inglês e estrelado por Julianne Moore.

O estúpido desta história é ter que refilmar o ótimo Gloria para que finalmente o público americano aprecie o filme, já que por lá eles não leem legendas e se incomodam com filmes dublados ou com elenco que eles não conheçam.

A coisa boa é que Lelio vai ganhando um espaço grande, já que Gloria Bell é bem bom e finalmente tirou Julianne Moore de sua quase zona de conforto, já que a história da divorciada sessentona que se apaixona por um divorciado doido que ela conheceu em uma balada, na minha opinião, era o papel que ela precisava nessa altura da carreira.

Julianne é a grande atriz americana, super consagrada, mas que ultimamente estava nos devendo uma atuação avassaladora, tipo a Linda de Magnolia.

E Gloria Bell é essa mulher, que aos 60 e poucos anos de idade, com os filhos criados, trabalha, mora sozinha, procura se sentir não muito sozinha e pra isso frequenta bares e baladas de pessoas de sua idade a procura de alguém. A música maravilhosa dos anos 70 e 80 presente em todo o filme é um bálsamo para nossos ouvidos e uma boa forma de contar mais da história dessa mulher.

O filme é maravilhoso, nos faz entrar de cabeça na vida de Gloria, em sua rotina e em sua solidão. Quando eu achava que Lelio tinha perdido o ritmo, eis que Gloria conhece um cara por quem se encanta, vivido pelo ótimo e quase sumido John Turturro.

Eles se beijam, eles dançam, eles se encontram, eles transam, eles começam uma relação bem boa, juras de amor dos 2 lados, até que ele dá uma surtada em um jantar em família.

E a vida de Gloria, que era bem normalzinha e tediosa acaba virando mais de cabeça pra baixo com o doido do cara.

Gloria Bell é lindo em sua aparente normalidade.

Lelio consegue entregar um filme tão impressionante ao mesmo tempo que muito ordinário porque sua personagem é o cúmulo da dicotomia, dos extremos, com retratos e mais retratos de uma das melhores personagens do ano.

Gloria Bell é desajeitada, estranha, a mulher que com certeza não sente a idade que tem. E isso é uma grande coisa, um elogio grande nos dias de hoje. Ela quer viver, quer amar, quer lutar contra a solidão que lhe é imposta pela vida.

Ela se sente bem na balada, por exemplo, ao mesmo tempo que percebemos o quanto ela se esforça pra isso.

Seu maior problema é repetir os erros, o que mostra que ela é exatamente como qualquer um de nós.

E nos enxergarmos em Gloria Bell, nos identificarmos com ela é o melhor elogio à Julianne e principal ao diretor Sebastian Lelio.

Nos vemos no próximo Oscar.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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2 pensamentos sobre “143/2019 GLORIA BELL

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