Eu juro que fiquei um tempinho pensando como eu poderia ter gostado tanto de Booksmart, a estreia na direção da ótima atriz americana Olivia Wilde.
Pra começar, é um filme de último dia de high school, que eu já não curto muito exatamente porque esse marco na vida dos americanos não significa quase nada pra nós brasileiros então sempre fico com um pé atrás, apesar de filmes recentes bem bons sobre esse coming of age.
Apesar disso, ou por causa disso, o filme vem sido um dos mais falados desde que estreou esse ano no Festival SXSW.
Tanto hype pode decepcionar.
Mas vou contar uma coisa: Booksmart não só me surpreendeu como me deixou chocado com o que assistia. E dou 2 razões para o sucesso do filme.
Primeira: a direção de Olivia Wilde é um absurdo de boa. Tipo, nasceu uma estrela.
Segunda: a trilha do filme é quase que uma das atrizes principais. Composta e produzida e curada pelo fudido dj e produtor de Los Angeles Dan The Automator, fiquei pensando que eles devem ter gastado rios de dinheiro com os direitos das músicas que aparecem o filme inteiro. Provavelmente, a trilha do ano.
De resto, é mais do mesmo: duas amigas super mais super cdf’s (ainda se fala cdf?) descobrem no último dia de aula que todo o esforço que elas fizeram por toda sua vida escolar para conseguirem entrar numa faculdade de primeira linha foi quase em vão. Porque todos os seus colegas mais estúpidos e zueiros e maloqueiros e putos também entraram em faculdades de primeira linha.
E aproveitaram os anos de escola como se deve, transando, se drogando, jogando, andando de skate, em festas e assim por diante.
Quando as 2 mais nerds da escola descobrem isso, resolvem tirar o atraso nas festas de último dia de escola, na noite anterior à formatura.
E lá vão as duas, caretas, virgens, chatas e bem na função de se jogarem.
Entendeu meu pé atrás? Parece qualquer filme de formatura de high school.
Só que não é, pelos dois motivos citados ali acima.
E por mais uns detalhes bem importantes, como por exemplo, uma das duas nerds ser lésbica, fora do armário, com os pais mais bacanas do mundo (Lisa Kudrow e Will Forte arrasando) só que virgem, inclusive de boca. Ou melhor, sem contar o panda de pelúcia que ela usa pra se masturbar.
Outro detalhe: o elenco é um dos melhores de todos. Não tem uma pessoa que eu tenha pensado “achei alguém que não se encaixa aí”. Que pesquisa de elenco linda.
Mais: o texto de todos os personagens, parece que foi escrito por cada um dos atores e das atrizes. Não só por ter esse elenco bem bom, mas não tem texto errado ou não condizente com a personagem. Não sei se por causa de muito ensaio ou se Olivia usou algum exercício de improvisação em cima do roteiro. Vou inclusive pesquisar e anotar o que ela fez.
Mais: Booksmart é um filme totalmente inclusivo, feminista, cheio de personagens de todos os tipos e tamanhos e o melhor de tudo: não tem uma loira má com sua turma ridícula na escola.
E o mais legal: mesmo por causa disso, Booksmart não perde a piada e muito menos o amigo.
De novo, preste atenção na trilha. Se bem que vai ser impossível não perceber a trilha, ela está do início ao fim, ajudando como nunca a contar a história.
Pra finalizar, não espere nada que você já não tenha visto antes em relação ao roteiro e à vida de Amy, Molly e toda a molecada da sua escola.
Mas prepare-se para se surpreender com a forma que suas histórias são contadas.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

