Como diz o versinho, “quem não gosta de Brian De Palma, bom sujeito não é; é ruim da cabeça, ou é bem lelé”.
De Palma é pra dizer o menos, o maior seguidor de Hitchcock, tendo feito tantos filmes maravilhosos por uma carreira tão longa e linda que não tem como não levar o cara em consideração.
No meu caso, ele dirigiu um dos filmes da minha vida, O Fantasma do Paraíso, thriller alucinado com um dos maiores usos de drogas nem tão recreativas que dão o tom dessa versão psicodélica do Fantasma da Ópera de 1974.
O cara ainda nos presenteou com as maravilhas Carrie, Vestida Para Matar, Blow Out, Scarface, Dublê de Corpo, Missão Impossível e por aí vão.
Em pleno 2019, aos 59 anos de carreira, De Palma lança Domino, mais um thriller absurdão e relevante para o nosso tempo sobre uma dupla de policiais dinamarqueses atrás de terroristas do estado islâmico na Europa.
O filme é estrelado por 2 já ícones de Game Of Thrones, o dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau, o fofo do Jaime Lannister e a holandesa Carice van Houten, a lindona Melisandre, que por acaso é casado com o australiano Guy Pearce de Priscila Rainha do Deserto que também está em Domino.
De Palma em Domino usa e abusa do que sabe fazer melhor: a tela dividida.
Não me lembro um filme do mestre que não haja tela dividia, seja com 2 imagens diferentes sob 2 pontos de vista, seja com 2 câmeras diferentes mostrando 2 momentos distintos que darão num mesmo final de cena, seja com lente que junta “no mesmo foco” um close e um plano de fundo que não estariam juntos.
Em Domino tem quase tudo isso e o mais impressionante é quando uma terrorista do Isis tem uma câmera mostrando sua reação e outra transmitindo, ambas acopladas a uma metralhadora enquanto ela mata um povo do cinema em uma noite de gala de um festival, no melhor recado dado por De Palma à turma que já o venerou muito.
O filme conta a história de como uns terroristas do Isis atraem a atenção da CIA, de um assassino do próprio isis que quer vingar seu pai e também da dupla de policiais dinamarqueses.
Só que isso tudo contado através de um dos piores roteiros do ano.
Domino nas mãos de um diretor qualquer seria o maior fracasso de 2019 e se bobear, não seria nem lançado em cinemas.
Mas De Palma transforma esse fracasso anunciado em (mais) uma homenagem a Hitchcock, cheio de referências a Ladrão de Casaca e Um Corpo Que cai, filmadas brilhantemente.
E é assim, uma história mal contada mas filmada lindamente e com uma trilha de arrepiar de seu colaborador de sempre Pino Donaggio.
Além dos 3 citados, Domino tem um elenco de coadjuvantes tão bem dirigidos que de vez em quando até esquecia os absurdos do roteiro.
Brian De Palma é o rei da cafonice setentista que acabou virando linguagem. Nos 10 minutos iniciais a gente já sabe que o filme é do cara, apesar de que no resto do tempo termos a impressão de que ele foi a última pessoa que entrou no projeto e que deve ter tido milhões de problemas enquanto filmava.
Mesmo assim, gostei muito. Sou fã assumido e não consigo desta vez ser objetivo o suficiente pra detonar o filme.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

