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160/2019 HER SMELL

Ano passado, quando fiquei sabendo que estavam fazendo um filme onde a Handmaid Elisabeth Moss seria uma punk rocker em decadência pensei com meus botões “hum, lá vem bomba”.

Agora que o filme existe de fato, fui contra preconceito e por causa da própria Elisabeth, que apesar de ser da cientologia, me cativou faz tempo e me faz ver seus trabalhos todos.

Sorte a minha, porque Her Smell é um absurdo de bom.

Pra começar, a decadência de Becky Something, a punk, não vem aos poucos, ela está no filme desde o início.

Becky e sua banda sempre estiverem meio que no fundo do poço, quase afogadas em um pouco de sexo, muitas drogas e um rockroll quase barulhento demais.

Por isso mesmo o filme do ótimo Alex Ross Perry não é propriamente uma história de redenção, apesar de que todo mundo a volta de Becky tenta e espera que ela se livre dos excessos, dentre os quais ter um xamã truqueiro em certa fase de sua carreira com ela pra cima e pra baixo, tentando purificar todo mundo a sua volta.

Perry constrói um filme um pouco longo demais mas que me deixou pregado na tela desde o início, tecnicamente impecável.

Ele conta a história de Becky em 5 fases de sua carreira como se fossem 5 diferentes planos sequências, apesar de o filme ter muitos cortes.

Mas os momentos são tão bons, tão bem ensaiados e dirigidos que parece que ligaram a câmera e ficaram com ela ligada acompanhando as histórias como uma equipe fazendo um documentário.

O filme é bem claustrofóbico, quase todo se passa em bastidores, camarins e estúdios de gravações em meio a pré-shows, pós-shows, brigas, overdoses, chiliques, mais brigas, discussões, abusos de todos os tipos e muito mais.

Sim, Her Smell não é uma historinha fofinha que vai aos poucos se perdendo mas sim uma história que já começa perdida e a gente só fica esperando o pior chegar, porque não é possível que alguém saia ileso daquilo tudo.

Vendo o filme eu fiquei pensando em Courtney Love, imaginando que Becky tivesse sido inspirada na vida doida da vocalista do Hole.

Só que a Becky de Elisabeth Moss é mais que Courtney, como deveria ser na ficção. E muito se deve pela interpretação fantasmagórica de Elisabeth que tem o filme em suas mãos desde a primeira cena e mesmo assim, por 130 minutos, deixa claro que ela é a dona da porra toda.

Pra isso ela tem o melhor elenco de apoio possível, com Cara Delevingne, Agyness Deyn, Gayle Rankin, Ashley Benson, Dylan Gelula, Virginia Madsen e Amber Heard, mulherada absurda, sonho de qualquer um que dirija um filme desses. Mas também com Dan Stevens e Eric Stoltz mandando muito bem.

Por mais que estejamos acostumados com a aia que só se fode ao mesmo tempo que é uma heroína na tv, Her Smell é o grande papel de Elisabeth Moss, indo de zero a 1000 sem exageros, sem caricatices no maior exemplo de certezas que uma atriz (com A maiúsculo) pode nos mostrar.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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