194/2019 A VIGILANTE

Hoje em dia quando eu vejo um filme americano com 90 minutos eu até acho que falta uma parte, cortaram 1 hora por engano.

A Vigilante é desses, seus 90 minutos de duração são perfeitos, sem nenhuma barriga pra contar uma história forte e dura que se mal contada poderia virar um dramalhão desgramado.

Olivia Wilde é a vigilante do título, uma mulher que é contactada por pessoas, principalmente mulheres que sofrem abuso em casa.

E é isso.

O filme foi escrito e dirigido por uma mulher, Sarah Daggar-Nickson que não deixa por menos e nos entrega uma porrada no estômago.

O roteiro é muito bem escrito, acertado e tem a melhor personagem da carreira da ótima (finalmente enxergamos) Olivia Wilde, que sempre foi a bacana de filminhos indies que depois de meses a gente já esqueceu.

A Vigilante faz com que Olivia sofra, chore, grite, sofra mais, ajude muito mas também apanhe muito.

Sadie, a personagem, se traveste a cada pessoa que ela vai ajudar e isso faz com que talvez ela não sinta toda a culpa de toda a violência e a tensão que ela acaba passando a cada “serviço”.

Entre um e outro job, a diretora nos mostra muito, mas muito de perto Sadie se desmontando em casa, tirando seu disfarce quase tosco, chorando, sofrendo, como se ela se lavando de tudo isso, ela se despiria de culpa.

Mas mesmo assim não é fácil.

Depois de uma reunião de mulheres que sofreram abuso, Sadie, também uma sobrevivente, resolve voltar a sua antiga casa atrás de coisas que ela deixou pra trás e o filme tem uma guinada radical meio chocante. Mas não se engane, não é plot twist, não é virada de roteiro papagaiada, é uma decisão bem boa, levando o filme a um final que, se não radical e surpreendente, é realizado da melhor forma possível.

Ousado, forte, muito bem dirigido e com a Olivia Wilde mostrando finalmente a que veio.

Uma das grandes surpresas do ano.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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