Secrets In A Small Town ou Nowhere, como é conhecido em festivais por onde passou, é a prova viva que o hype e o marketing bons são responsáveis por perdas irreparáveis por causa da ansiedade.
O filme conta uma história real, acontecida em uma cidadezinha americana no meio do nada (daí o nowhere do título original) onde uma mulher e sua filha chegam para morar, ela como vice diretora da escola e a filha como uma ótima jogadora de basquete.
Porque a cidade é pequena e auto protetora, logo as meninas do time convidam a adolescente para uma festa do pijama de boas vindas que termina em uma pseudo tragédia: a menina nunca volta para casa e desaparece.
A cidade inteira se comove e sai à procura da menina por todo lugar, inclusive pela floresta que a circunda e nada.
A mãe vai pirando, não consegue se concentrar em nada muito menos em seu trabalho na escola e foca suas forças restantes em pensar o que pode ter acontecido a sua filha e como fazer para encontrá-la, já que tem certeza que ela está viva, como toda mãe sempre tem.
O problema de Nowhere é que a história real e sua premissa são muito melhores que o filme em si.
O filme é pequeno, com elenco praticamente desconhecido, mas é muito mal dirigido, a partir de um roteiro tão derivativo que perde todas as oportunidades de contar um suspense desse nível.
Não que a história real seja um absurdo de bizarra nem nada disso, mas o filme deixa essa história mais sem graça ainda.
O diretor Thomas Michael não decidiu se seu filme é um drama familiar ou um suspense com um possível final surpreendente.
Ele poderia ter decidido que o filme é sim um drama triste de suspense. E seria tão fácil ter feito isso.
A mãe, as alunas, o diretor, a treinadora, todo mundo é caricato em níveis extremos de representação mesmo.
O único personagem convencível é o delegado e talvez porque tenha pouco tempo em cena, porque se bobear e se aparecesse mais, ele também entraria para o panteão dos equivocados.
Nowhere não é um filme ruim, mas é um filme que passaria muito bem quase desapercebido no meio do catálogo da Netflix.
Na minha opinião, quando seus produtores executivos perceberam isso, criaram uma aura de indie estranho para vendê-lo nos festivais e esse buzz acabou ressonando por quem caiu na deles e comprou o filme para distribuição.
Até que o público o assiste e pensa isso tudo aí que eu escrevi.
NOTA: 🎬🎬1/2

