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201/2019 CALL HER GANDA

Documentário muito bom sobre uma das histórias mais absurdas que vi ultimamente.

Jennifer, uma mulher trans, é encontrada brutalmente morta em um quarto de motel em sua cidade natal nas Filipinas, depois de uma noitada com alguns Mariners americanos.

Um deles é acusado de ser o assassino, só que como as Filipinas são praticamente uma colônia americana (o que eu nem imaginava), com quem tem um tratado absurdo, ele fica preso em seu navio que lá está atracado.

E se o caso não for resolvido no prazo de 1 ano em corte, ele termina em liberdade e pode voltar para seu país, como se nada tivesse acontecido.

Três mulheres tomam a frente de um grande movimento para defender a honra de Jennifer, o que acaba quase com um problema diplomático entre os 2 países: uma advogada ativista, uma jornalista trans e a mãe de Jennifer, Nanay, que de mulher pobre e destruída pela morte da filha, acaba sendo a voz mais forte dessa jornada e que acabam sendo vozes muito potentes no movimento trans filipino.

O outro lado, a defesa do oficial, faz de tudo para que o julgamento seja adiado, pedindo sempre mais tempo de investigação ou arranjando sempre desculpas esfarrapadas para que o prazo de 1 ano chegue.

Call Her Ganda mostra o absurdo que é o poder americano sobre a administração e até o governo filipinos, quando algum problema envolve alguém de suas forças armadas.

Se não fosse pela persistência e pelo trabalho incansável dessas três mulheres que eu citei, o caso teria se encerrado na primeira audiência quando o tal oficial americano disse que apesar de fazer parte da elite naval, ele não teria força para matar “um homem”.

E o pior, ele disse que só cometeu o assassinato por ter sido enganado por Jennifer, achando que ela era mulher.

A história desse filme cheia de desculpas do assassino é a mesma que ouvimos e lemos a torto e a direito sobre feminicídio de mulheres trans no Brasil, cada vez mais comuns e cada vez mais na mídia.

O homem sempre tem as mesmas desculpas, sempre o mesmo papo furado de que só percebeu “tarde demais”.

O problema nas Filipinas é que com o acordo multilateral com umas leis bizarras, Jennifer poderia ter sido só mais uma na longa lista dessas pessoas que perdem suas vidas das formas mais estúpidas possíveis onde transfóbicos fazem o que querem achando que nada vai lhes acontecer.

A história de Ganda (linda), como Nanay chamava a filha Jennifer, é uma das histórias mais potentes sobre direitos trans que deveria ser contada.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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