Quando eu li que Hail Satan? tinha passado em Sundance e o povo tinha falado muito bem do filme, não via a hora de assistir.
Ontem a noite eu tive pelo menos uma epifania assistindo esse documentário absurdo: tudo o que venho pensado e tentado viver nos últimos anos em relação a igreja (católica, no meu caso, onde fui criado) e religiões em geral principalmente ligadas à política e a interferências radicais nas vidas das pessoas, tudo mesmo é exatamente o que o Satanismo prega, que é o foda-se o poder da religião sobre o ser humano.
Hais Satan? aparentemente nos conta a história de como o Satanismo, ou o TST, The Satanic Temple, resolveu erguer uma estátua de Baphomet (bem linda, por sinal) e colocá-la em público em uma rua de Boston pelo simples motivo de que se pode haver uma “estátua” dos 10 mandamentos católicos e se os EUA são um país laico, eles também teriam direito de erguer uma estátua a Baphomet.
O rolo que isso dá é hilário. Parece que por lá os amigos do Bolsonaro também tentam mandar em tudo. Vemos pelo filme um monte de fundamentalistas cristãos bradando contra os filhos do diabo.
Só que não é nada disso.
Hail Satan? nos conta a história de como esse fundamentalismo radical está tomando conta (se já não tomou) daquele país e de como os filhos do demíonio, os seguidores do diabo, o povo do mal que só anda de preto quer acabar com os EUA.
Que na verdade, os caras são ateus, não acreditam em diabo nem porra nenhuma, lutam contra qualquer tipo de radicalismo, querem igualdade, querem liberdade e querem provocar.
Por isso criaram essa “igreja” e se dizem satanistas, para se mostrarem o extremo oposto do que esses novos cristãos pregam.
A coisa mais legal do filme é ir vendo quem são esses caras na real. E ver que eles são tão fodões que além de fazerem “rituais pagãos e missas negras”, os caras estão de verdade preocupados com o mundo e com o que estão fazendo com ele (oi Trump).
Os caras não querem ser como os cristãos. Ou melhor, eles até querem, politicamente. Mas o que eles querem é que os cristãos fundamentalistas, a praga do século XXI, saiam da política e que na verdade a política se separe de vez da religião.
O documentário que começa como um possível showzinho de uns doidos vai crescendo para nos mostrar que 1. ninguém ali é doido, muito pelo contrário e 2, o show desses caras é em engajamento político e social.
O que as igrejas satanistas espalhadas pelos EUA fazem pelo meio ambiente em suas comunidades é muito mais palpável e visível do que se pode imaginar.
O foda no filme é mostrar que a tal estátua linda de Baphomet na verdade foi uma trollagem genial para conseguirem tempo de mídia e para no fim, mostrar quem esses caras realmente são.
Hail Penny Lane, a diretora desse monstro de documentário que me abriu os olhos para uma possibilidade que está mais na minha cara do que eu poderia imaginar. Acorda, Alice.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

