209/2019 WEREWOLF

Quando terminei de assistir esse filme, meses atrás, fiquei pensando no lobisomem do título e fiquei penando na frase do Hobbes “o homem é o lobo do homem”.

Werewolf é uma porrada no estômago, outros tapas na cara e se você se deixar levar é uma mordida no meio fio como fez o nazi Derek do Ed Norton em American History X.

Só que em você.

Vanessa e Blaize são 2 junkies que tentam de qualquer maneira sobreviver no petardo que é o filme da diretora Ashley McKenzie.

E só.

O filme todo é isso, um casal se fudendo, sofrendo muito, porque a adição, a desgraceira que é as suas vidas fala mais alto que qualquer outro sentimento, qualquer força pra tentar sobreviver de alguma forma que não a mais punk possível.

Pior: como o filme é um indie pequeno canadense, os atores são desconhecidos. Como a diretora é fodona, a gente tem certeza que ela pegou 2 junkies de rua e os colocou num tipo de neo documentário, porque o tempo todo a gente acredita em cada fotograma de Werewolf.

O homem é o lobo do homem. Ou o inferno é aqui. Ou você colhe o que planta. Mas nada disso como lição de moral ou frase inspiradora, muito pelo contrário.

O filme se resigna a nos mostrar a desgraça e não a julgar nada.

Ou melhor, aos pouquinhos, bem aos pouquinhos, Werewolf acaba nos julgando por sermos espectadores passivos do que está acontecendo na nossa frente. E não tô dizendo dentro do filme.

Se eu citei Hobbes, vou citar Velvet Undergroung: I’ll be your mirror.

Werewolf é aquele espelho do Dorian Gray que fica coberto e escondido no sótão envelhecendo no lugar dele. Os junkies do filme são os nossos reflexos, morrendo em nossos lugares, sofrendo com seu cortador de grama em nossos lugares.

Mas também viajando e delirando em nossos lugares, já que nem isso nós fazemos mais.

Veja e tente não se identificar com tudo isso que escrevi.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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