Sabe como as piranhas nadam em bando e detonam os peixes que por acaso vão aparecendo em seus radares?
Esse é o mote de Piranhas, o filme sobre um bando de adolescentes da periferia de Nápoles que sofrendo nas mãos dos bandidos um pouco mais “poderosos” que eles, tentam de uma forma conseguirem esse poder.
E como piranhas, eles vão tentando devorar tudo ao seu redor, sem pudor.
Como todo bom filme político e etnográfico de hoje em dia, Piranhas se passa em Nápoles mas poderia se passar em qualquer periferia de qualquer outra cidade do mundo.
Os desejos e anseios dos moleques italianos de 15 anos de idade são os mesmos do morro do Rio, das favelas de São Paulo e por aí vão.
Eles querem poder, querem dinheiro pra comprar as roupas de marca, os nikes novos, comprar as champas na baladas, beijar as meninas que sem dinheiro eles não conseguiriam nem chegar nelas.
Piranhas é baseado no livro do mesmo autor de Gomorra, um dos produtos audiovisuais italianos meus preferidos, um filme de onde saiu a série fodona de tv.
Piranhas é o velho e bom filme sobre máfia, bandidagem, filhadaputismos sob a ótica da molecada que vem chegando cada vez mais cedo a esse mundo.
A personagem principal de 15 anos de idade, o cabeça do bando, a piranha principal, é um moleque que quer pagar de fodão mas é virgem, sem traquejo sexual, que tem piripaque quando usa cocaína pela primeira vez e sem experiência, sem ideias, vai fazendo o que vai aparecendo em sua frente para tentar chegar lá.
Sendo que o lá nem ele mesmo sabe onde é.
Piranhas mostra que o mafioso, independente de onde e quando e porquê, quer sempre a mesma coisa, ganhar dinheiro fácil, mandar matar, tentar não morrer e subir nessa escada do mal.
As piranhas do filme esquecem que elas só funcionam em bando. Seus dentes são afiados mas sua boca é pequena e não abre muito. E por isso mesmo elas mordem rápido e dolorido, mas se a presa percebe isso, sai fora imediatamente.
A metáfora do título funciona perfeitamente com o roteiro do filme, que é maravilhoso. E o diretor Claudio Giovannesi faz certinho ao montar o filme em cima desse roteiro de pequenas histórias mais do que se aprofundar em detalhes psicológicos das personagens, porque nos primeiros minutos de filme já entendemos quem são essas personagens, de tão acostumados que estamos ao vê-los não só nas telas, mas principalmente no nosso dia a dia.
NOTA: 🎬🎬🎬


Um pensamento sobre “221/2019 PIRANHAS”