Meus Dias de Compaixão deveria ter sido vendido com um Brokeback Mountain lésbico. O sucesso seria maior e esse filminho lindinho não teria caído no limbo cinematográfico.
Pra começar, o título em português de My Days Of Mercy estraga a beleza do original.
Mercy é uma jovem mulher que se apaixona sutilmente por uma defensora dos direitos humanos, Lucy, que luta contra a pena de morte nos EUA.
Mercy e Lucy se conhecem em um protesto, uma de cada lado, já que Mercy está lá para defender que um assassino seja morto na cadeira elétrica por ter matado um amigo de seu pai.
E assim elas vivem sua paixão que como toda boa paixão, não se explica e não se justifica.
Como no filme dos caubóis gays, elas se encontram só em protestos e tentam se ver fora deles como podem, já que moram em cidades através do país, colocando seu amor em risco pela distância.
Mas quando se encontram, tentam fazer valer todos os poréns.
A história é meio que um Romeu e Julieta, ou melhor, Julieta e Julieta nos tempos de atuação política.
Ou melhor, é como se uma petistinha se apaixonasse pelo cúmulo de uma bosominiom, imagine só.
O filme vai bem nesse radicalismo, mostrando que Lucy está lá defendendo a vida exatamente porque seu pai está no corredor da morte, condenado por ter supostamente matado sua mãe.
Já Mercy está lá porque lá estão seus pais e amigos.
E já citando o bardo de novo, o coração tem razões que a própria razão desconhece, porque quando confrontadas, Mercy e Lucy enxergam o quanto esses lados de cada uma são mais distantes e extremos do que elas haviam parado para pensar.
Claro que a grande coisa do filme é o casal principal, vivido pelas ótimas Kate Mara, a playboyzinha Mercy, e Ellen Page, a esquerdona Lucy.
Mas o mais legal foi ver que Page vive a personagem mais tímida, mais frágil do casal, já que eu costumo enxergá-la e imaginá-la como uma mulher forte e combativa o tempo todo.
Fui pego pelo coração.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

