Eu gosto muito de documentários sobre estilistas famosos. Principalmente porque eu gosto mais das histórias dessas pessoas do que da moda em si, que muitas vezes é auto centrada demais pro meu gosto com desculpas esfarrapadas em abundância.
Halston foi um dos caras que inventaram a moda americana como a conhecemos, um geniozinho que em um momento de opulência financeira e sem muita opção de concorrência, virou O cara.
Como todo bom estilista, ele era um ególatra assumido e por muitas vezes foi mais conhecido por suas histórias que por suas roupas.
Até que um dia nem um (suas histórias) e nem outro (suas roupas) foram suficientes para manter toda a sua aura de gênio e ele teve que, pasmem, se juntar a uma grande de varejo e lançar suas roupas por lá.
Tipo o sonho de todo grande estilista nos dias de hoje, lançar a coleção pela C&A e encher o bolso de dinheiro.
Acontece que lá nos anos 1970’s isso foi um escândalo e o início do fim de sua carreira.
Mal sabia o coitado que até nisso ele foi vanguardista.
Mas o mais punk de sua história foi que em um momento de sua vida, Halton desapareceu completamente. E é isso que este documentário se propõe a contar e onde falha miseravelmente.
O filme é ótimo, as imagens de arquivo são fantásticas, toda a história de como Halston gastava fortunas mensais em sua empresa por ter contratado a salários altos floristas, amigos, massagistas e assim por diante, são histórias que mesmo se repetindo acabam sempre chocando.
Claro que tem as histórias de rios e rios de drogas consumidas e bancadas pelo próprio Halston, que sempre são interessantes no meio do caminho.
Ou as histórias de sua nóia com controle, com perfeição, com detalhes absurdos, por se sentir o único capaz de dar vida à tudo o que criava mesmo, ser super controlador. Tudo o que a gente espera de um desses auto aclamados gênios mas que só servem de escada para algum final apoteótico, para o bem ou para o mal.
O seu sumiço, a descoberta de ser HIV+, o seu final enigmático se bem contados, seriam a cereja desta floresta negra apetitosa.
Mas sabe quando o bolo é lindo, você se deixa encantar pelo chocolate escuro e brilhante, pelo chantili branquinho contrastante e chega perto da fatia e descobre que a tal cereja é de xuxu?
NOTA: 🎬🎬🎬

