Sub título: Quentin Tarantino é um grande contador de histórias que não me interessam.
Finalmente, em seu filme número 9, Era Uma Vez Em Hollywood, Quentin Tarantino fez o seu filme de super herói.
Com direito a salvar a mocinha no final e tudo.
A essa altura do campeonato todo mundo deve saber que o novo petardo do enfant terrible de Hollywood, que não tem nada mais de enfant, muito menos de terrible, é sobre um ator em decadência, antigo caubói de sucesso de Hollywood que no fim, como um grande ato misógino e estúpido do diretor, nem da personagem, dá um jeito de mudar a história.
Leonardo Di Caprio (melhor que nunca) é Rick Dalton, esse ator decadente que tenta como pode e como não pode (muito porque a bebedeira e o ego não ajudam) a conseguir sua relevância em Hollywood de volta.
Pra isso ele conta com a ajuda do seu braço direito e esquerdo, sempre presente, num bromance besta, Cliff Booth (Brad Pitt também ótimo, só que já mostrando que a boniteza toda ficou no passado, apesar do corpão e de todo o cabelo de Cool World velho de guerra), seu dublê também desempregado, que serve mais como secretário/empregadinho.
Era Uma Vez Em Hollywood tem bem perto de 3 horas de duração e Tarantino gastou mais de 2 dessas horas nos convencendo que o decadente Rick é relevante o suficiente pra comprarmos o que ele faz no final.
No final das contas ele não passa de um Batman da tv dos anos 60 e Cliff é seu Robin, fazendo todo o serviço pesado de porradaria enquanto ele chega no final e termina tudo com um ato de “braveza” gigante e bem acalorado, pra não dar muito spoiler.
Como no cinema, o Robin de Tarantino, que é o dublê, faz todo o serviço pesado e quem leva a fama é o ator que fica sossegado e só entra pra que façam o seu close com vento no cabelo.
E Tarantino, eu não consegui mesmo comprar sua versão do sonho, mesmo você terminando o seu filme com o “era uma vez…”, como se o filme fosse uma fábula de Hollywood.
Se fosse uma fábula, porque você não fez com que tudo a sua volta fosse fábula, porque não transformou seu personagens e situações em cenas maiores que a vida?
Era Uma Vez Em Hollywood é um filme que se pretende além de real, mas que parece um documentário sobre a antiga Hollywood, que está prestes a se tornar a nova casa do novo cinema americano.
E Tarantino tenta em seu filme salvar essa nova esperança com o super herói das antigas, fazendo com que o laço que os une não se quebre. Pelo menos não no seu mundinho de fantasia.
Tarantino escolheu tão bem seu super herói, o moldou tanto que ele acabou sendo obviamente o alter ego do próprio diretor, só que no corpo de um dos lindos e ricos e defensores do mundo, Leo Di Caprio.
Só que como o caubói em decadência, em enxergo Tarantino mais perto da decadência do ex caubói do que da possibilidade de salvação do cinema americano.
Eu juro que esperava um filme como Cães de Aluguel ou Kill Bill, 2 que eu gosto muito. Ou mesmo da fábula de Bastardos Inglórios, que eu amo só pela matança nazista.
E sobre Sharon Tate, grávida de 8 meses e meio, assassinada pelos malucos seguidores do Helter Skelter, só digo que Tarantino a transformou em uma barbie linda, quase uma dessas novas atrizes que hoje são mais relevantes no Instagram que nas telas. Sharon sempre foi a não realização do sonho hippie, da mudança pro bem que os anos 60 nos prometiam. E Tarantino ainda por cima tirou tudo isso dela.
Faça-me um favor!
NOTA: 🎬🎬

