Antes de mais nada, relevem esse título brasileiro “sessão da tarde” pra essa Pérola com P maiúsculo.
As Loucuras de Rose, também conhecido com o Wild Rose, é um filme escocês que me deixou tão besta quanto Rosie, do qual falei 2 dias atrás.
Como o irlandês, este também é um filme pequeno, indie escocês com uma personagem principal feminina que vai direto para o panteão das grandes mulheres do cinema de 2019.
Mas antes de falar do filme em si, quero falar da Jessie Buckley, a atriz irlandesa e cantora que vive a personagem título, uma cantora de country escocesa doidona perdida nos bares de Glasgow.
O que essa menina Jessie canta não está no gibi, como diríamos nos tempos dantanho. E não só, ela é uma bela de uma atriz, uma dessas que aparecem brilhando num filme genial desses e que com certeza ano que vem já vamos vê-la em algo maior com mais visibilidade.
Rose é um doidona, começa o filme saindo da cadeia onde passou um tempinho por posse de heroína, que ela disse que não sabia que estava carregando.
Ela vai direto para sua casa onde é recebida por sua mãe meio mal humorada, com razão (vivida pela maravilhosa Julie Walters, a amiga baixinha da Meryl em Mama Mia), e por seus 2 filhos, o menor super efusivo e a maiorzinha mais tímida e contida.
Rose não sabe o que fazer da vida, tem as 2 crianças para criar, não tem dinheiro, não tem emprego, saiu da cadeia, quer virar uma cantora de sucesso em Nashville mas não sabe nem por onde começar.
Ela tenta voltar ao bar onde cantava e trabalhava antes de ser presa e é praticamente enxotada de lá pelos donos, que não querem a encrenqueira de volta.
Rose é punk, ou melhor, Rose é uma punk só que não tem consciência disso.
Ela vive a vida indiscriminadamente, inconsequentemente e aos 24 anos de idade está nessa encruzilhada de falta de oportunidades vindas de todos os lados.
E Jessie, ah Jessie, que Rose fodona que você nos entrega no filme.
A Rose de Jessie é tudo isso que falei, punk, doida, sem jeito, uma mãe que não sabe ser e vai aprendendo aos poucos, uma mulher que só faz escolhas erradas mas que vive porque tem um sonho e é atrás dele que ela sempre vai.
Rose encontra um emprego de faxineira em uma casa de uma família que vive muito bem e logo sua patroa descobre que ela é uma cantora de country.
Depois de ouví-la e se apaixonar pela voz de Rose (boba ela), ela começa a articular umas ajudas a sua funcionária, o que acaba ajudando Rose a acreditar mais em seu sonho, apesar dos revezes que isso traz para sua vida pessoal, já que a patroa não sabe nada da vida real da cantora, nem que ela tem filhos ou que já foi presa.
Rose é daquelas que se jogam nas menores oportunidades que vão surgindo a sua frente, sempre com esperança de que algo possa melhorar a partir disso.
Lembrou daquela palhaçada toda de Nasce Uma Estrela? Pois é, aqui, neste filminho escocês realmente nasce uma estrela, Rose, a cantora e principalmente Jessie Buclkey.
E Tom Harper, o ótimo diretor desse grande filme faz co que sua personagem seja a mais linda, melhor cantora, mais estranha, mais “ralé” e a mais sonhadora, a que melhor mais descobrindo sua razão de viver à medida que vai vivendo.
Engraçado, triste, desesperador, dramático, o filme é uma ode a quem sonha, a quem acredita, a quem não se encaixa necessariamente mas que mesmo assim quer.
Quer viver, quer se encaixar, quer realizar, quer amar, quer receber amor, quer.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬


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