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246/2019 DIVINO AMOR

É até sacanagem falar de outro filme brasileiro depois de falar de Bacurau.

Na verdade é sacanagem falar de qualquer filme depois de Bacurau, mas vamos lá, vida continua.

Divino Amor, apesar de esteticamente ser o extremo oposto de Bacurau, é um filme no mesmo nível filosófico, talvez.

Ambos os filmes se passam num futuro próximo, numa distopia.

Em Divino Amor o Brasil vive um momento onde a religiosidade tóxica é extrema e dominante.

O carnaval deixou de ser a principal festa nacional, agora é uma rave crente.

Um casal tem sua vida totalmente tragada por essa religiosidade extrema.

Ela é uma funcionária pública que lida com casais que estejam se divorciando. Só que ela não aguenta e acaba se intrometendo nessas decisões convidando esses casais a participarem de cultos em sua igreja para que sejam ajudados nesses momentos de dúvida.

Ele trabalha fazendo coroas de flores para enterros e velórios. Escreve as palavras erradas nas fitas e tem um gosto bem peculiar pelas flores que usa, até se negando a fazer um trabalho por não concordar em usar flor azul, por exemplo.

Tudo pela religião.

E o casal tem um problema: eles não conseguem engravidar. Ele tem problemas em seu esperma e rezam o quanto podem para que a fé os ajude.

Mas acabam tendo uma ajudazinha de uma máquina onde ele fica de ponta cabeça recebendo raios vermelhos em sua genitália. Vai que funciona.

Os tais cultos para ajudar casais que eles participam é tão peculiar que acabam virando orgias sexuais. Na maior cara de pau.

E de tanto rezar, de tanto se dedicar, ela acaba recebendo o milagre da concepção.

A felicidade da notícia logo dá lugar ao desespero: quem é o pai da criança?

Ela vai ao seu escritório usar seu super computador para tentar descobrir que é o pai do embrião. Não é seu marido e também não é nenhum dos homens com quem ela tem feito sexo na igreja.

E o cataploft na cabeça dela é gigante, inclusive achando que ela é “a escolhida”.

Divino Amor é daqueles filmes que morrem na praia. Ele poderia ter sido maravilhoso mas toda a ousadia que Gabriel Mascaro teve em seu maravilhoso filme anterior Boi Neon, ele se conteve nesse novo Divino Amor.

Toda ousadia acabou no roteiro, ou melhor, na ideia, porque até o roteiro se segurou um pouco demais.

Mas Divino Amor é bom, bem acima da média, só faltou se soltar mesmo.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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