249/2019 IN FABRIC

In Fabric é tão doido, tão estranho, tão inesperado que eu nem tenho certeza de como falar desse filme sem ficar só elogiando.

O filme sobre o vestido vermelho assassino, como o próprio vestido, é lindo de morrer. (ó que tiradinha espertona, ó, ó)

In Fabric é dirigido pelo inglês bizarrão Peter Strickland, que é só o diretor de um dos grandes filmes dos últimos anos, Berberian Sound Studio e do quase estranho, mas não menos interessante, The Duke of Burgundy.

In Fabric é a melhor homenagem ao giallo e o roteiro poderia facilmente ter sido escrito pelo mestre Dario Argento: além de muito suspense, o filme tem uma turminha de bruxas com sotaque italiano que são bem peculiares.

O filme conta a história de um vestido vermelho, único, fabricado por uma butique estranha nos anos 1960.

O problema é que quem usa esse vestido sofre umas consequências bem horrorosas.

O legal do roteiro é que as histórias do vestido são muito bem costuradas (ui) pelas tais bruxas na butique estranha.

E cada uma das histórias é tão doida em suas peculiaridades que poderiam ser filmes independentes.

Dizer que In Fabric é surreal é minimizá-lo. O filme é de um supra realismo pouco visto e tomara que se torne uma referência para filmes que virão.

O filme é um terror que, apesar de ter sua fonte o cinema italiano dos anos 70/80, só poderia ter sido feito hoje em dia, muito pela forma como o diretor Strickland monta toda a trama do filme no roteiro.

Quando eu disse que era bem costurada não foi só pela piada, mas um filme cuja personagem principal seja um vestido do mal e que funciona é de um primor incomparável.

In Fabric não é o terror usual, sem história, onde a pessoa que usa o vestido morre enforcada pelo cinto, por exemplo.

O filme conta as histórias de consumo, de como as pessoas lidam com a febre de ter e ter e acabam sofrendo as consequências.

Mas In Fabric não é um filminho de metáforas e sub texto politicamente correto, longe disso. E a gente sabe que quanto menos metáfora, mais legal.

In Fabric é cruel, é fino, é sutil quando tem que ser e é gore em close quando também tem que ser. In Fabric sabe desses momentos, entende seu ritmo e cria seu universo como se deve, muito por seus personagens serem praticamente obras de arte por si só.

O terror de In Fabric é praticamente uma nova forma de se contar esse tipo de história. Em seu filme Berberian Sound Studio, o diretor Strickland já nos mostrou o quanto ele ama o terror físico e em In Fabric confirma que não só o ama como sabe usar suas armas da melhor forma possível. In Fabric é o ápice de uma carreira que, além dos filmes que já citei, nos brindou com a lindeza que é o show Biophilia da Bjork.

Que venha mais e mais, Peter.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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